{"id":13479,"date":"2014-04-03T07:21:29","date_gmt":"2014-04-03T10:21:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=13479"},"modified":"2014-04-03T07:21:29","modified_gmt":"2014-04-03T10:21:29","slug":"numero-de-moedas-alternativas-dobra-no-pais-em-5-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/numero-de-moedas-alternativas-dobra-no-pais-em-5-anos\/","title":{"rendered":"N\u00famero de moedas \u2018alternativas\u2019 dobra no pa\u00eds em 5 anos"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Total de bancos comunit\u00e1rios passou de 51 em 2009 para 104 neste ano.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong> Aumento foi causado pela abertura de editais federais de apoio.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O n\u00famero de bancos com moedas pr\u00f3prias dobrou nos \u00faltimos cinco anos no Brasil, segundo dados da Rede Brasileira de Bancos Comunit\u00e1rios. Em 2009, existiam 51 institui\u00e7\u00f5es no pa\u00eds; agora, s\u00e3o 104.<\/p>\n<p>Em 2013, os bancos, que s\u00e3o geridos por associa\u00e7\u00f5es de moradores, foram respons\u00e1veis por movimentar R$ 18 milh\u00f5es em cr\u00e9dito produtivo e 600 mil nas chamadas \u201cmoedas sociais\u201d &#8211; o dinheiro tem lastro em reais e pode ser aceito apenas por comerciantes credenciados na regi\u00e3o do banco.<\/p>\n<p>As moedas sociais s\u00e3o usadas para estimular o com\u00e9rcio de \u00e1reas carentes. Elas garantem que o dinheiro circule apenas entre comerciantes e moradores localmente, e n\u00e3o se disperse por outros lugares, como acontece com o real. Assim, o retorno econ\u00f4mico \u00e9 garantido.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os bancos comunit\u00e1rios tamb\u00e9m s\u00e3o criados para contornar a falta de servi\u00e7os banc\u00e1rios em bairros e cidades do pa\u00eds. Eles ainda s\u00e3o importantes por causa de seus pap\u00e9is sociais &#8211; como s\u00e3o controlados por associa\u00e7\u00f5es de moradores, a pr\u00f3pria comunidade \u00e9 quem decide para onde o investimento ser\u00e1 direcionado, j\u00e1 que \u00e9 ela quem aprova os empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p><strong>Regras<\/strong><br \/>\nHoje, as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o concentradas no Nordeste (51), regi\u00e3o que \u00e9 seguida por Sudeste (27), Norte (16) e Centro-Oeste (10). Segundo a Rede, n\u00e3o h\u00e1 bancos comunit\u00e1rios no Sul. O principal estado \u00e9 o Cear\u00e1 (37), lar do Instituto Palmas, respons\u00e1vel pelo primeiro banco do pa\u00eds: o Palmas, aberto em Fortaleza em 1998.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o abertas com a ajuda de grupos que t\u00eam respaldo do Banco Central, como o pr\u00f3prio Instituto Palmas. \u201cPrefeitos ou moradores nos procuram para abrir um banco e n\u00f3s fazemos o projeto. \u00c9 preciso em m\u00e9dia R$ 60 mil para come\u00e7ar, comprar equipamentos e fazer moeda\u201d, diz Joaquim Melo, coordenador do instituto e diretor da Rede.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso seguir algumas regras: uma moeda social deve valer R$ 1; deve existir o c\u00e2mbio entre as moedas; a circula\u00e7\u00e3o do dinheiro deve ser restrita \u00e0 regi\u00e3o do banco e deve existir livre aceita\u00e7\u00e3o &#8211; ou seja, ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a aceitar a moeda.<\/p>\n<p>Quando aprovado o projeto, inicia-se a forma\u00e7\u00e3o financeira das pessoas que v\u00e3o gerir o banco, que s\u00e3o moradores da pr\u00f3pria comunidade e que geralmente nunca trabalharam na \u00e1rea. Elas contam com o apoio dos institutos durante um tempo, mas depois est\u00e3o por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>O \u00faltimo banco inaugurado foi em Maric\u00e1, no Rio de Janeiro. Ele foi feito em parceria com o Instituto Palmas e com a prefeitura, que fundou o Bolsa Mumbuca, uma complementa\u00e7\u00e3o de renda semelhante ao Bolsa Fam\u00edlia, mas que utiliza a moeda social mumbuca. Diferente das outras institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes, por\u00e9m, o projeto \u00e9 o primeiro do pa\u00eds a utilizar a moeda social eletr\u00f4nica, com um cart\u00e3o de d\u00e9bito.<\/p>\n<p>Segundo Melo, um banco na periferia de Fortaleza deve ser o segundo do pa\u00eds a receber a moeda eletr\u00f4nica. \u201cGovernos de muitos munic\u00edpios est\u00e3o no ligando, pois a ideia \u00e9 boa n\u00e3o s\u00f3 para quem consome, mas tamb\u00e9m para quem produz\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Editais<\/strong><br \/>\nSegundo especialistas e pessoas envolvidas na \u00e1rea ouvidos pelo\u00a0<strong>G1<\/strong>, o aumento do n\u00famero de bancos desde 2009 foi causado pelo apoio da Secret\u00e1ria Nacional de Economia Solid\u00e1ria, do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego. Desde 2010, o \u00f3rg\u00e3o lan\u00e7a editais para estimular a abertura de novos bancos e manter os que j\u00e1 existem.<\/p>\n<p>\u201cO papel da secretaria foi importante, pois \u00e9 dif\u00edcil para cooperativas e associa\u00e7\u00f5es de moradores conseguir financiamento. Assim, o potencial j\u00e1 existia, mas faltava o dinheiro\u201d, diz Augusto C\u00e2mara Neiva, coordenador do N\u00facleo de Economia Solid\u00e1ria da Universidade de S\u00e3o Paulo (Nesol-USP).<\/p>\n<p>O governo j\u00e1 repassou R$ 22,5 milh\u00f5es para o setor atrav\u00e9s de dois editais &#8211; um em 2010, que gerou um pico de bancos em 2011 (20) e 2012 (32), e outro em 2013, que ainda est\u00e1 sendo consolidado. \u201cOs bancos s\u00e3o geralmente criados em pequenas cidades pobres, mas outros tamb\u00e9m s\u00e3o abertos em bairros carentes de capitais. O fundamental \u00e9 que perten\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz o secret\u00e1rio Paul Singer.<\/p>\n<p>Com os contratos firmados no ano passado, a secretaria espera que o n\u00famero de bancos comunit\u00e1rios no pa\u00eds suba para 191 em 2015. Este crescimento deve ser direcionado para o Nordeste, o Norte e o Centro-Oeste, j\u00e1 que os editais estimulam a cria\u00e7\u00e3o dos bancos em regi\u00f5es mais pobres dos pa\u00eds. &#8220;Damos pontos a mais para projetos nestas \u00e1reas&#8221;, diz\u00a0Manoel Vital de Carvalho Filho, diretor de fomento \u00e0 economia solid\u00e1ria da secretaria.<\/p>\n<p><strong>Depend\u00eancia do governo<\/strong><br \/>\nSegundo Neiva, a maior parte do dinheiro dos editais \u00e9 usado para manter o contrato dos funcion\u00e1rios dos bancos, pois o cr\u00e9dito para oferecer empr\u00e9stimos \u00e9 arrecadado por meio de eventos, como festas de bairro, por exemplo.<\/p>\n<p>Por causa disso, quando o per\u00edodo de contrato previsto no edital acaba, os sal\u00e1rios tamb\u00e9m acabam. \u201cPor isso, \u00e9 muito importante que novos editais sejam abertos\u201d, diz o professor.<\/p>\n<p>O Banco Comunit\u00e1rio Padre Leo Comissari, em S\u00e3o Bernardo do Campo, no ABC, passou por essa situa\u00e7\u00e3o. Durante um ano, os funcion\u00e1rios foram pagos por meio do Nesol-USP &#8211; institui\u00e7\u00e3o que ganhou o primeiro edital federal para gerenciar e abrir bancos no Sudeste. \u201cQuando acabou, cada um teve que se virar. Mantivemos o banco voluntariamente\u201d, diz a agente de desenvolvimento solid\u00e1rio Maria Vani de Caldas Villani.<\/p>\n<p>O banco n\u00e3o chegou a fechar, mas limitou seu funcionamento. Com o novo edital de 2013, uma institui\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo \u00e9 a nova respons\u00e1vel por ajudar a institui\u00e7\u00e3o a se manter. \u201c\u00c9 dif\u00edcil depender de edital, mas a nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, agora, com o novo contrato de um ano e meio, a gente consiga fazer novos parceiros para garantir um financiamento constante\u201d, diz Villani.<\/p>\n<p>A secretaria reconhece que ainda existem dificuldade na pol\u00edtica de apoio. \u201cEditais demoram de ser feitos e apurados, bem como o repasse de recursos e o apoio t\u00e9cnico. (&#8230;) \u00c9 um processo de matura\u00e7\u00e3o, que vai levar um tempo que ainda n\u00e3o sabemos. Estamos aprendendo com tudo isso e aperfei\u00e7oando a pol\u00edtica\u201d, diz Carvalho Filho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Total de bancos comunit\u00e1rios passou de 51 em 2009 para 104 neste ano. 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