{"id":15759,"date":"2014-05-20T08:15:51","date_gmt":"2014-05-20T11:15:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=15759"},"modified":"2014-05-20T08:15:51","modified_gmt":"2014-05-20T11:15:51","slug":"se-registra-maior-taxa-de-homicidios-de-sp-aponta-levantamento","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/se-registra-maior-taxa-de-homicidios-de-sp-aponta-levantamento\/","title":{"rendered":"S\u00e9 registra maior taxa de homic\u00eddios de SP, aponta levantamento"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>\u00cdndice do distrito \u00e9 de 60,4 casos por 100 mil pessoas em 2013.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Especialistas dizem que megapopula\u00e7\u00e3o flutuante faz taxa ser elevada.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Crimes passionais ou motivados por vingan\u00e7a, disputas por droga e acertos entre traficantes e moradores de rua. Esses s\u00e3o alguns dos motivos apontados por policiais ouvidos pelo G1 para os homic\u00eddios registrados na S\u00e9, Centro de S\u00e3o Paulo. O distrito registra a maior taxa a cada 100 mil habitantes entre os 93 distritos da cidade. Para especialistas em seguran\u00e7a, a megapopula\u00e7\u00e3o flutuante durante o dia \u00e9 a respons\u00e1vel por fazer a regi\u00e3o figurar na primeira posi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o \u00edndice de crimes \u00e9 calculado sobre a popula\u00e7\u00e3o residente apenas.<\/p>\n<p>A S\u00e9 teve um \u00edndice de 60,4 casos de homic\u00eddio a cada 100 mil habitantes. O dado, referente a 2013, faz parte de um levantamento do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia (NEV) da USP obtido pelo G1. Para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), locais com \u00edndices iguais ou superiores a este n\u00famero s\u00e3o considerados zonas end\u00eamicas de viol\u00eancia<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio governo de S\u00e3o Paulo adota esse crit\u00e9rio para nortear e elaborar suas pol\u00edticas p\u00fablicas de seguran\u00e7a p\u00fablica.<br \/>\nDelegados, investigadores e escriv\u00e3es ouvidos pelo G1 dizem que, por se tratar de um crime imprevis\u00edvel, o homic\u00eddio doloso \u00e9 dif\u00edcil de ser evitado. Como o pr\u00f3prio nome diz, a inten\u00e7\u00e3o de quem o comete \u00e9 simplesmente matar.<\/p>\n<p>Na S\u00e9, foram registrados no ano passado 20 casos de homic\u00eddios dolosos. A taxa \u00e9 feita a partir da compara\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o residente no bairro (33,1 mil). Isso significa que h\u00e1 outras regi\u00f5es, mais populosas, com um maior n\u00famero de casos. Em n\u00fameros absolutos, o distrito do Parque Santo Ant\u00f4nio, na Zona Sul, \u00e9 o que det\u00e9m o maior n\u00famero de homic\u00eddios da capital: 54. A taxa, no entanto, fica em 19,6.<\/p>\n<p>Segundo especialistas consultados pelo G1, por causa do modo como o c\u00e1lculo \u00e9 feito, a popula\u00e7\u00e3o flutuante das regi\u00f5es n\u00e3o \u00e9 considerada. \u201cA popula\u00e7\u00e3o flutuante na S\u00e9 \u00e9 muito grande, mais de 2 milh\u00f5es de pessoas v\u00e3o para l\u00e1 todos os dias. Mas a popula\u00e7\u00e3o residente \u00e9 pequena. Assim, a taxa \u00e9 muito maior do que se fosse considerada a quantidade de pessoas que circulam na \u00e1rea\u201d, diz Guaracy Mingardi, analista criminal e integrante do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda falta de equipamentos p\u00fablicos na regi\u00e3o, bem como problemas de habita\u00e7\u00e3o, fatores que afetam o \u00edndice de criminalidade, de acordo com Marcelo Batista Nery, soci\u00f3logo e pesquisador do NEV.<\/p>\n<p>O G1 teve acesso aos boletins de ocorr\u00eancia de 16 dos 20 casos de homic\u00eddios registrados em 2013 na S\u00e9. Das 16 v\u00edtimas, apenas duas s\u00e3o mulheres. A maioria das mortes ocorreu por arma de fogo (sete). Houve seis esfaqueamentos, um enforcamento e uma morte por tiro e enforcamento. Em um dos casos, n\u00e3o foi informada a causa da morte.<\/p>\n<p>A maior parte dos casos (sete) ocorreu entre 18h e 0h. Outros cinco foram na madrugada e tr\u00eas, durante a tarde. Apenas um homic\u00eddio foi no per\u00edodo da manh\u00e3. Quanto ao local, o \u00fanico recorrente foi o Rio Tamanduate\u00ed, que margeia a Avenida do Estado. Tr\u00eas corpos foram resgatados na \u00e1gua.<\/p>\n<p>Somente em um dos boletins consta a informa\u00e7\u00e3o de que os suspeitos de serem os autores foram presos. Como a autoria dos outros crimes foi dada como desconhecida, eles foram encaminhados posteriormente para o Departamento de Homic\u00eddios e de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa (DHPP).<\/p>\n<p><strong>Crimes<\/strong><br \/>\nDois casos da S\u00e9 foram amplamente divulgados. Em 19 de janeiro de 2013, Ariel Charles Rodrigues de Fran\u00e7a, o &#8220;Rolinha&#8221;, matou a tiros a ex-mulher Liliane de Assis Lopes. O crime, que ocorreu quando ela caminhava na cal\u00e7ada da Avenida Senador Queiroz.<\/p>\n<p>Imagens de c\u00e2meras de seguran\u00e7a mostram que ela tentou se proteger do ex atr\u00e1s de um homem, que n\u00e3o foi ferido, mas acabou atingida. Liliane chegou a ser socorrida, mas n\u00e3o resistiu aos ferimentos e morreu.<\/p>\n<p>Cinco dias ap\u00f3s matar Liliane, Ariel se apresentou no 1\u00ba DP, onde foi indiciado por homic\u00eddio. Ainda de acordo com a pol\u00edcia, ele disse que matou a ex-companheira por ci\u00fames e por ela cobrar a pens\u00e3o aliment\u00edcia da filha deles.<\/p>\n<p>Como o prazo da pris\u00e3o em flagrante expirou, ele foi liberado para responder ao crime em liberdade. Logo ap\u00f3s ser solto, a pol\u00edcia pediu a pris\u00e3o preventiva de Ariel \u00e0 Justi\u00e7a, que determinou que ele fosse preso. Ariel, no entanto, j\u00e1 havia fugido e passou a ser considerado foragido.<\/p>\n<p>No Facebook, parentes e amigos da v\u00edtima se reuniram para cobrar a pris\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o de Ariel pelo assassinato. Em uma p\u00e1gina da rede social, eles colocaram a foto do procurado com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cforagido\u201d.<\/p>\n<p><strong>Outro caso<\/strong><br \/>\nNa noite de 18 de outubro do ano passado, o sindicalista Carlos Alberto dos Reis, o &#8220;Carl\u00e3o&#8221;, de 50 anos, entrou para as estat\u00edsticas de v\u00edtimas de homic\u00eddios dolosos no 1\u00ba DP. Ele era presidente do Sindicato dos Eletricit\u00e1rios de S\u00e3o Paulo e havia acabado de deixar o local, na Liberdade, para pegar o carro do sindicato e voltar para casa, quando foi morto a tiros. Ele foi encontrado pela Pol\u00edcia Militar com sete tiros, no banco do motorista de um Polo Sedan prata, na travessa Rugero, esquina com a Rua Doutor Lund.<\/p>\n<p>De acordo com os policiais, testemunhas que ouviram os disparos n\u00e3o viram quem matou o sindicalista. A pol\u00edcia ainda busca imagens de c\u00e2meras de seguran\u00e7a para saber se elas gravaram o crime. Como nenhum pertence foi levado, o crime \u00e9 tratado como homic\u00eddio.<\/p>\n<p>Carlos era casado e tinha uma filha. Ele estava no cargo havia tr\u00eas anos. \u201cQuando aconteceu isso, todos ficamos surpresos\u201d, afirma Celso Luis de Souza, que assumiu a presid\u00eancia do sindicato com a morte do colega. \u201cAt\u00e9 agora n\u00e3o sabemos quem possa ter matado o Carl\u00e3o. Isso, de investigar, \u00e9 trabalho da pol\u00edcia.\u201d<\/p>\n<p><strong>Homic\u00eddios na regi\u00e3o<\/strong><br \/>\nSegundo o NEV, a taxa de homic\u00eddios na S\u00e9 caiu desde 1993, quando era de 74 casos por 100 mil habitantes. Ela j\u00e1 chegou a 152,7 em 2000 e a 25,8 em 2008. Os n\u00fameros oscilaram e cresceram nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Comparando com 1993, o n\u00famero de homic\u00eddios na S\u00e9 caiu 45,9%. O esvaziamento urbano da regi\u00e3o, por\u00e9m, impediu que a taxa ca\u00edsse drasticamente, pois a popula\u00e7\u00e3o residente passou de 50 mil para 33,1 mil \u2013 uma queda de 33,8% no per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>Investimentos<\/strong><br \/>\nA Secretaria da Seguran\u00e7a diz que faz investimentos para baixar os \u00edndices em toda a cidade. Em nota, o \u00f3rg\u00e3o cita a amplia\u00e7\u00e3o dos quadros da Pol\u00edcia Civil, &#8220;com a maior contrata\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o \u2013 mais 3.418 policiais para o Estado&#8221;. &#8220;A Pol\u00edcia T\u00e9cnico-Cient\u00edfica, cujas per\u00edcias s\u00e3o fundamentais nas investiga\u00e7\u00f5es policiais, ter\u00e1 um aumento de 64% nos cargos, com a cria\u00e7\u00e3o e contrata\u00e7\u00e3o 1.853 novos funcion\u00e1rios&#8221;, informa.<\/p>\n<p>A secretaria diz que &#8220;o combate aos homic\u00eddios envolve outras a\u00e7\u00f5es, como o controle da entrada de armas no pa\u00eds&#8221;. &#8220;Neste ano, de janeiro a mar\u00e7o, as pol\u00edcias paulistas aprenderam 4.671 armas ilegais \u2013 um aumento de 3,10% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. \u00c9 preciso, paralelamente, investimentos em a\u00e7\u00f5es sociais e educacionais para prevenir a viol\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>A SSP ressalta que, apesar de distritos como a S\u00e9 registrarem altas taxas e merecerem aten\u00e7\u00e3o, a cidade como um todo tem um \u00edndice de 10,08, bem pr\u00f3ximo ao preconizado pela OMS como toler\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdndice do distrito \u00e9 de 60,4 casos por 100 mil pessoas em 2013. 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