{"id":16180,"date":"2014-05-28T08:25:54","date_gmt":"2014-05-28T11:25:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=16180"},"modified":"2014-05-28T08:25:54","modified_gmt":"2014-05-28T11:25:54","slug":"recife-testa-geomanta-para-evitar-deslizamentos-em-encostas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/recife-testa-geomanta-para-evitar-deslizamentos-em-encostas\/","title":{"rendered":"Recife testa geomanta para evitar deslizamentos em encostas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Cem pontos de risco da capital devem receber o produto at\u00e9 o fim do ano.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Popula\u00e7\u00e3o reclama que gel, aplicado em morros, n\u00e3o surtiu efeito esperado.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A Prefeitura do Recife come\u00e7ou a aplicar nos morros da cidade um novo paliativo para tentar evitar deslizamentos de barreira: a geomanta, um tipo lona mais resistente, composta de PVC com fios sint\u00e9ticos, que impede a passagem de \u00e1gua durante o per\u00edodo chuvoso. O Executivo municipal contratou uma empresa para colocar o produto em cem pontos de risco, at\u00e9 o fim deste ano, ao custo de R$ 2,4 milh\u00f5es. Desde o in\u00edcio do ano, foram registrados 52 deslizamentos na capital. N\u00e3o houve v\u00edtimas, mas duas fam\u00edlias foram removidas para abrigos ap\u00f3s as ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>A Defesa Civil afirmou que pretende avaliar a efic\u00e1cia da geomanta e rever o custo-benef\u00edcio em rela\u00e7\u00e3o ao gel impermeabilizante, recurso utilizado pela antiga e atual gest\u00e3o. O G1 visitou locais onde o gel foi colocado e ouviu moradores insatisfeitos com a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na escala dos recursos utilizados pela Defesa Civil, primeiro vem a lona, depois o gel e, agora, a geomanta. Por fim, o muro de arrimo, tido como a solu\u00e7\u00e3o definitiva. \u201cUma empresa nos apresentou a geomanta e fizemos dois testes, uma na Vila dos Milagres, no Ibura, e outro no Alto do Maracan\u00e3, em Dois Unidos, entre o segundo semestre do ano passado e o come\u00e7o deste ano.<\/p>\n<p>Gostamos do resultado e decidimos abrir licita\u00e7\u00e3o para contratar o servi\u00e7o\u201d, explicou o secret\u00e1rio-executivo do \u00f3rg\u00e3o, tenente-coronel Adalberto Freitas Ferreira.<\/p>\n<p>A empresa TDC Constru\u00e7\u00f5es Ltda. venceu a licita\u00e7\u00e3o para coloca\u00e7\u00e3o do material, em mar\u00e7o passado. Os primeiros 1.680 metros quadrados foram aplicados no Alto do Maracan\u00e3, na Zona Norte do Recife, h\u00e1 exatamente um m\u00eas, dentro da Opera\u00e7\u00e3o Inverno. Nestes primeiros 30 dias, a geomanta impermeabilizante de PVC est\u00e1 sendo aplicada em outros 66 pontos de risco situados em localidades como Alto da Telha, C\u00f3rrego Manoel Carroceiro, Lagoa Encantada e C\u00f3rrego do Euclides.<\/p>\n<p>Antes da aplica\u00e7\u00e3o da geomanta, foi preciso limpar e regularizar o terreno das encostas, al\u00e9m de abrir valas nos topos para poder cravar o produto no solo. O passo seguinte \u00e9 executar o chapisco projetado, espalhando sobre a geomanta um l\u00edquido que mistura \u00e1gua, areia, cimento e alguns aditivos.<\/p>\n<p>Por fim, pinta-se toda a superf\u00edcie acinzentada de verde para melhorar a apar\u00eancia. \u201cA geomanta \u00e9 mais resistente, imperme\u00e1vel e dur\u00e1vel que a lona pl\u00e1stica, tem prote\u00e7\u00e3o contra raios UVA e UVB e tem durabilidade m\u00ednima de cinco anos\u201d, disse o engenheiro respons\u00e1vel pela TDC, Eduardo D&#8217;Angelo.<\/p>\n<p>O engenheiro tamb\u00e9m explicou a diferen\u00e7a para o gel. \u201cO gel \u00e9 uma emuls\u00e3o de base acr\u00edlica, age como se fosse uma cola grudando os gr\u00e3os de areia para impermeabilizar o terreno, mas, por exemplo, permite que cres\u00e7a uma vegeta\u00e7\u00e3o e as ra\u00edzes cortam esse efeito. A geomanta d\u00e1 uma prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica ao solo\u201d.<\/p>\n<p>O padeiro Genildo Agripino observou a coloca\u00e7\u00e3o da geomanta nas barreiras que rodeiam a resid\u00eancia dele, no Alto do Maracan\u00e3. Mesmo sem saber muito bem do que se tratava, depositou confian\u00e7a em um inverno mais tranquilo.<\/p>\n<p>\u201cSempre colocaram lonas pl\u00e1sticas aqui, mas n\u00e3o segurava a chuva e a \u00e1gua entrava na minha casa. Tomara que isso [a geomanta] proteja mais. O bom mesmo seria um muro de arrimo\u201d, comentou.<\/p>\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio-executivo da Defesa Civil do Recife, a geomanta \u00e9 um paliativo enquanto a prefeitura capta recursos para a constru\u00e7\u00e3o de muros de arrimo. \u201cOs muros s\u00e3o mais caros e demora-se mais para constru\u00ed-los, e a cidade tem muitos pontos de risco [veja quadro acima]. Enquanto a URB [Empresa de Urbaniza\u00e7\u00e3o do Recife] constr\u00f3i, a gente usa essas outras ferramentas para prevenir acidentes\u201d, aponta.<\/p>\n<p>A URB informou que concluiu seis obras em \u00e1reas de encosta desde 2013, incluindo a constru\u00e7\u00e3o de muro, escadaria e drenagem. Outras 17 obras, or\u00e7adas em R$ 28 milh\u00f5es, est\u00e3o em andamento e devem ser entregues entre maio e outubro deste ano. O \u00f3rg\u00e3o acrescentou que, ainda este ano, a prefeitura dar\u00e1 ordem de servi\u00e7o para 104 obras, or\u00e7adas em R$ 150 milh\u00f5es, recurso obtido por meio da Caixa Econ\u00f4mica Federal. Localidades nos bairros do Jord\u00e3o, Ibura, Cohab, Vasco da Gama, Dois Unidos, Nova Descoberta, Bomba do Hemet\u00e9rio, Alto Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, entre outras, ser\u00e3o beneficiadas.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1 experi\u00eancia<\/strong><br \/>\nA dona de casa Gerusa Alc\u00e2ntara, 60 anos, ainda guarda as fotos da \u00e9poca em que agentes da Prefeitura do Recife aplicaram um gel que prometia impermeabilizar as barreiras que ficam na frente e atr\u00e1s da resid\u00eancia dela, na Rua Brit\u00e2nia, no Jord\u00e3o, h\u00e1 cerca de dois anos. Nem o cheiro ruim do material nem o vaiv\u00e9m de trabalhadores dentro da intimidade do lar incomodaram, afinal, ela estava feliz com o que parecia ser a solu\u00e7\u00e3o definitiva para acabar com o medo de conviver t\u00e3o pr\u00f3ximo do perigo.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a, no entanto, durou pouco. &#8220;Eles cavaram para tirar as plantas e depois aplicaram o gel. A gente at\u00e9 ficou feliz, mas quando veio uma chuva mais forte, o gel foi todo embora e a barreira ficou soltando barro. At\u00e9 uma parede minha rachou depois&#8221;, disse. Segundo Gerusa, o gel foi aplicado outra vez, mas o efeito n\u00e3o mudou. &#8220;Tive que pedir lona para este inverno. J\u00e1 perdemos um lado todo da casa, n\u00e3o queremos passar por isso de novo&#8221;, lamentou.<\/p>\n<p>A dona de casa Eliane Gadelha n\u00e3o esperou um sinal verde da Prefeitura. Ela foi ao banco e negociou um empr\u00e9stimo de R$ 30 mil para construir dois muros de arrimo, colocar canaletas para escoar a \u00e1gua da chuva e uma escada entre as resid\u00eancias dela e da filha, na Rua Mirizal, no Jord\u00e3o. O gel tamb\u00e9m foi aplicado nas antigas barreiras, mas, segundo Eliane, n\u00e3o deu certo. &#8220;Eu n\u00e3o senti diferen\u00e7a nenhuma, a primeira chuva levou tudo&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil perceber onde o gel foi aplicado, pois a terra fica esverdeada. Em uma barreira na Rua Ubatanga, tamb\u00e9m no Jord\u00e3o, ainda d\u00e1 para ver o barro colorido. A dona de casa Gilvanete Cabral mora bem ao lado da barreira e acredita que o produto &#8220;deu uma segurada&#8221; no deslizamento do barro. &#8220;Mesmo assim, colocaram lona aqui h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas, e ela j\u00e1 est\u00e1 toda rasgada&#8221;, relatou.<\/p>\n<p>J\u00e1 a dona de casa Edilane Leite, que mora na Rua Josias Rodrigues dos Santos, em cima da barreira, acha que o produto n\u00e3o tem surtido efeito.<\/p>\n<p>&#8220;Eles botaram uma vez e nunca mais. Talvez, se houvesse manuten\u00e7\u00e3o, desse certo&#8221;, disse. Uma casa vizinha j\u00e1 foi demolida pela Prefeitura por estar arriscada a cair. Hoje, a preocupa\u00e7\u00e3o maior de Edilane \u00e9 mesmo uma mangueira que amea\u00e7a desabar sobre a resid\u00eancia dela.<\/p>\n<p>Uma reportagem postada no site da Prefeitura, em 2012, explicava que o gel impermeabilizante, fabricado com base bio-\u00f3leo vegetal e pol\u00edmero acr\u00edlico, evitava a degrada\u00e7\u00e3o do solo e recompunha a vegeta\u00e7\u00e3o, retendo a umidade para n\u00e3o permitir a desfragmenta\u00e7\u00e3o e consequente deslizamento. At\u00e9 o fim de 2012, o gel j\u00e1 tinha sido aplicado em mais de 44 mil metros quadrados, em 16 pontos de risco. A reportagem ainda dizia que o produto tinha durabilidade de cinco anos, devendo ser feito um refor\u00e7o anual, com a reaplica\u00e7\u00e3o de 20% do que foi utilizado anteriormente.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-executivo da Defesa Civil do Recife afirmou que um contrato com a empresa Via Encosta, que aplicava o gel, ainda estava em vig\u00eancia quando a nova gest\u00e3o assumiu a Prefeitura, em 2013. &#8220;N\u00f3s terminamos o compromisso e ainda colocamos um aditivo, em conv\u00eanio com o Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste momento, n\u00e3o estamos mais aplicando porque estamos sem empresa contratada&#8221;, disse o tenente-coronel Adalberto Freitas Ferreira.<\/p>\n<p>Questionado se a Defesa Civil voltaria a usar o produto, o secret\u00e1rio-executivo afirmou que ser\u00e1 feito um estudo sobre o custo-benef\u00edcio do gel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 geomanta. &#8220;Se usarmos o gel, vamos readequar o termo de refer\u00eancia para melhorar a fiscaliza\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o, vinculando um laborat\u00f3rio para ajudar&#8221;, apontou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cem pontos de risco da capital devem receber o produto at\u00e9 o fim do ano. 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