{"id":22751,"date":"2014-11-20T08:23:12","date_gmt":"2014-11-20T11:23:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=22751"},"modified":"2014-12-28T19:47:55","modified_gmt":"2014-12-28T22:47:55","slug":"simbolos-de-resistencia-quilombos-preservam-cultura-negra-em-pe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/simbolos-de-resistencia-quilombos-preservam-cultura-negra-em-pe\/","title":{"rendered":"S\u00edmbolos de resist\u00eancia, quilombos preservam cultura negra em PE"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>No estado, h\u00e1 atualmente 112 quilombos reconhecidos pelo governo federal.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em> Em Vic\u00eancia, antiga casa-grande virou sede de associa\u00e7\u00e3o quilombola.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Logo na entrada do distrito, uma imagem de Zumbi dos Palmares em azulejos recepciona quem chega. E, de certo modo, anuncia que ali se passaram epis\u00f3dios emblem\u00e1ticos da nossa Hist\u00f3ria. No Quilombo Trigueiros, em\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/pe\/pernambuco\/cidade\/vicencia.html\"><strong>Vic\u00eancia<\/strong><\/a>, na Mata Norte de\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/pernambuco.html\"><strong>Pernambuco<\/strong><\/a>, os resqu\u00edcios do tempo de escravid\u00e3o est\u00e3o impressos em cada ruela da comunidade, onde moram 367 fam\u00edlias. No Brasil, a Funda\u00e7\u00e3o Palmares, ligada ao Minist\u00e9rio da Cultura, \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por formalizar a exist\u00eancia de quilombos e assessor\u00e1-los no acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas de ingresso \u00e0 cidadania.<\/p>\n<p>Na defini\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o, \u201cquilombolas s\u00e3o descendentes de africanos escravizados que mant\u00eam tradi\u00e7\u00f5es culturais, de subsist\u00eancia e religiosas ao longo dos s\u00e9culos\u201d. O povoado de Trigueiros foi assim reconhecido em 2008. No Brasil, s\u00e3o 2.431 comunidades quilombolas. Em Pernambuco, h\u00e1 130 atualmente. Outras dez est\u00e3o em processo de reconhecimento no estado.<\/p>\n<blockquote><p>Quando aboliram a escravid\u00e3o, ficamos escravos do dinheiro. Meu pai queria que eu estudasse e, ainda novinho, lembro o patr\u00e3o falando: \u2018Pra qu\u00ea estudar? Pra cortar cana?\u2019 Eu sentia cheiro de escravid\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Severino da Silva, 67 anos,\u00a0neto de escravos<\/p><\/blockquote>\n<p>Muitas das mudan\u00e7as realizadas ou em curso no Quilombo Trigueiros se devem a esse reconhecimento formal da Funda\u00e7\u00e3o Palmares. \u201cA gente se achava diferente, mas n\u00e3o tinha essa ideia de quilombola. Toda comunidade tem seus costumes. Aqui, por exemplo, pode trazer a banda mais cara para tocar no S\u00e3o Jo\u00e3o, mas se n\u00e3o tiver uma palho\u00e7a e um sanfoneiro, nem adianta. No outro dia, o pessoal n\u00e3o estaria satisfeito\u201d, explica a presidente da Associa\u00e7\u00e3o Quilombola de Trigueiros, Edriane Barbosa.<\/p>\n<p>Curiosamente, a sede da institui\u00e7\u00e3o funciona na antiga casa-grande do povoado. As iniciais do antigo senhor de engenho ainda cravadas no im\u00f3vel \u2013 JGCP, Jos\u00e9 Gomes da Cunha Pedrosa \u2013 mostram que a comunidade n\u00e3o nega suas mem\u00f3rias, mas deseja reescrever essa parte da hist\u00f3ria. \u201cQuando aboliram a escravid\u00e3o, ficamos escravos do dinheiro. Meu pai queria que eu estudasse e, ainda novinho, lembro o patr\u00e3o falando: \u2018Pra qu\u00ea estudar? Pra cortar cana?\u2019 Eu sentia cheiro de escravid\u00e3o\u201d, lembra o aposentado Jos\u00e9 Severino da Silva, 67. Seu av\u00f4 era jagun\u00e7o de senhor de engenho; o pai fazia trabalhos bra\u00e7ais.<\/p>\n<p>Com o gradual desenvolvimento de Trigueiros, as heran\u00e7as do per\u00edodo escravocrata v\u00e3o desaparecendo. Seu Severino, por exemplo, que \u00e9 mais conhecido por Goi\u00f3, conta que a comunidade cresceu tanto que os cachorros precisam tomar cuidado ao dormir nas ruas, devido \u00e0 quantidade de carros. Os tr\u00eas que ele tinha \u2013 Chaves, Chapolin e Chiquinha \u2013 morreram atropelados. O aposentado guarda quase nenhum ressentimento dos tempos de explora\u00e7\u00e3o: \u201cHoje, sou rico\u201d. A casa onde vive com a mulher tem sala com televis\u00e3o e cadeira de balan\u00e7o, al\u00e9m de um quintal onde criam algumas galinhas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_22753\" aria-describedby=\"caption-attachment-22753\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/benedito.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-22753 size-full\" src=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/benedito.jpg\" alt=\"Seu Dito largou o trabalho nos engenhos de a\u00e7\u00facar para vender os balaios que ele mesmo produzia (Foto: Renan Holanda\/ G1)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-22753\" class=\"wp-caption-text\">Seu Dito largou o trabalho nos engenhos de a\u00e7\u00facar<br \/> para vender os balaios que ele mesmo produzia<br \/> (Foto: Renan Holanda\/ G1)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Relato parecido tem Benedito Jos\u00e9 da Silva, 72, ou simplesmente Seu Dito. Trabalhou em engenhos de cana-de-a\u00e7\u00facar por anos at\u00e9 resolver despender esfor\u00e7o em causa pr\u00f3pria. Era final dos anos 1960. \u201cTive f\u00e9 em Deus que nunca mais ia cavar sulco para ningu\u00e9m\u201d, lembra. Aprendeu a fazer balaios e ia ao Recife pelo menos uma vez na semana para tentar vend\u00ea-los a comerciantes do Centro de Abastecimento e Log\u00edstica de Pernambuco (Ceasa). \u201cOs primeiros que eu fiz eram meio ruins. Um cara l\u00e1 pegou, olhou e disse que era uma bomba\u201d, conta, bem humorado. Depois se aperfei\u00e7oou na pr\u00e1tica e ganhou a vida vendendo balaios at\u00e9 ano passado.<\/p>\n<p><strong><em>Do G1<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No estado, h\u00e1 atualmente 112 quilombos reconhecidos pelo governo federal. Em Vic\u00eancia, antiga casa-grande virou sede de associa\u00e7\u00e3o quilombola. Logo<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":22752,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2845,47],"class_list":["post-22751","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-consciencia-negra","tag-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22751","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22751"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22751\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22752"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22751"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22751"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}