{"id":23137,"date":"2014-12-01T09:18:16","date_gmt":"2014-12-01T12:18:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=23137"},"modified":"2014-12-01T09:18:16","modified_gmt":"2014-12-01T12:18:16","slug":"casos-de-aids-entre-jovens-aumentam-mais-de-50-em-6-anos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/casos-de-aids-entre-jovens-aumentam-mais-de-50-em-6-anos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Casos de Aids entre jovens aumentam mais de 50% em 6 anos no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Fant\u00e1stico acompanhou jovens soropositivos no pa\u00eds. Nos Estados Unidos, m\u00e9dicos desenvolvem comprimido que previne contamina\u00e7\u00e3o em at\u00e9 92%<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Do Fant\u00e1stico<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Segunda-feira (1\u00ba) \u00e9 o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, uma doen\u00e7a que infelizmente ainda precisa ser lembrada. O doutor Dr\u00e1uzio Varella explica porque a Aids voltou a assustar e preocupar: \u201cHouve um aumento absurdo dos casos de Aids entre os jovens nos \u00faltimos anos. Neste sentido, o Brasil vai na contram\u00e3o do que acontece em outras partes do mundo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O aumento \u00e9 de mais de 50% em seis anos. \u201cO principal motivo \u00e9 o comportamento sexual dos jovens. Acham que hoje ningu\u00e9m mais morre de Aids, que se pegar o v\u00edrus \u00e9 s\u00f3 tomar rem\u00e9dio e est\u00e1 tudo bem. Est\u00e1 tudo bem, n\u00e3o. \u00c9 uma doen\u00e7a grave. Vai ter que tomar rem\u00e9dio a vida inteira. A Aids \u00e9 uma doen\u00e7a grave, que causa sofrimento e n\u00e3o tem cura\u201d, alerta.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu saio \u00e0 noite eu quero me divertir, me alegrar, distrair a mente um pouco\u201d, conta um jovem.<\/p>\n<p>S\u00e1bado \u00e0 noite, Ivan, Guilherme e Edson saem para a balada. A cena \u00e9 comum em qualquer cidade do Brasil e do mundo. Ruas, bares e boates lotadas de jovens. \u201cNoitada perfeita \u00e9 isso: bebida, amigos e mulher\u201d, diz um jovem.<\/p>\n<p>\u201cCurtir, beijar na boca\u201d, conta outro jovem.<\/p>\n<p>\u201cConhecer algu\u00e9m e ficar\u201d, afirma outro jovem.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9, hoje eu espero que tenha muita azara\u00e7\u00e3o, beijo na boca. Isso\u201d, diz Ivan.<\/p>\n<p>Ivan, Guilherme, Edson. Olhando para eles, voc\u00ea conseguiria dizer quem \u00e9 portador do HIV?<\/p>\n<p>\u201cEu sou soropositivo e descobri que tenho HIV com 23 anos. Eu tinha um relacionamento. A gente morava junto e tal. Ele sentou no sof\u00e1 comigo e falou: \u2018Olha, eu fiz o exame e o exame deu positivo\u2019. Eu perguntei qual era o exame. Ele falou para mim e falou: \u2018Fiz o exame de HIV\u2019\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Mesmo estando em um relacionamento est\u00e1vel, Ivan contraiu o v\u00edrus da Aids. Foi contaminado pela pessoa em quem mais confiava. \u201cHoje eu tenho certeza que a Aids n\u00e3o tem cara. Certeza absoluta\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ivan faz parte de uma estat\u00edstica preocupante. \u201cA taxa de detec\u00e7\u00e3o de Aids entre jovens de 15 a 24 anos vem crescendo em uma velocidade bem maior que da popula\u00e7\u00e3o em geral\u201d, diz Jarbas Barbosa, secret\u00e1rio de Vigil\u00e2ncia e Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Desde 2006, os casos de Aids nos jovens entre 15 e 24 anos aumentaram mais de 50%, o que quer dizer mais jovens soropositivos. No resto do mundo, o n\u00famero de novos casos de HIV entre os jovens caiu 32% em uma d\u00e9cada. Por que estamos indo na contram\u00e3o?<\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o deixa de transar porque n\u00e3o tem camisinha\u201d, conta um jovem.<\/p>\n<p>\u201cA rapaziada de hoje em dia, n\u00e3o pensa muito nisso\u201d, diz outro jovem.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 poss\u00edvel saber em menos de 20 minutos se voc\u00ea est\u00e1 ou n\u00e3o infectado com o HIV. Um teste r\u00e1pido, que pode ser feito de gra\u00e7a na rede p\u00fablica de sa\u00fade, dispon\u00edvel para qualquer um. N\u00e3o precisa marcar hora: \u00e9 chegar e fazer.<\/p>\n<p>Rafaela transou sem camisinha, h\u00e1 um m\u00eas, e agora veio se testar. \u201cEstava solteira, acabei conhecendo pela internet, a gente se envolveu. Fui na casa dele, chegou l\u00e1, n\u00e3o tinha, desprevenido. Acabou acontecendo. No dia seguinte fiquei naquela neurose, estou aqui hoje para fazer o teste\u201d, diz Rafaela Pessoa de Ara\u00fajo, de 19 anos.<\/p>\n<p>Rafaela tem motivo para se preocupar. Ela j\u00e1 viu de perto como \u00e9 viver com o HIV. \u201cMinha m\u00e3e faleceu. Ela era portadora do v\u00edrus. Ela tinha muito cuidado para n\u00e3o contaminar os filhos. Cuidado redobrado\u201d, conta.<\/p>\n<p>Mesmo vendo o sofrimento da m\u00e3e, ela se descuidou. A m\u00e9dica traz o resultado: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o tem o v\u00edrus do HIV. Como voc\u00ea est\u00e1 se sentindo?\u201d, pergunta.<\/p>\n<p>\u201cAliviada. Acho que vai me conscientizar mais a me cuidar, a ter a postura de levar a camisinha\u201d, responde.<\/p>\n<p>Ela teve sorte dessa vez. Uma segunda chance que nem todo mundo tem. Na \u00faltima d\u00e9cada, 34 mil jovens contra\u00edram o v\u00edrus da Aids. Basta um deslize, uma \u00fanica vez sem preservativo para se contaminar.<\/p>\n<p>Mas se transar sem camisinha, como Rafaela, voc\u00ea sabe o que fazer? N\u00e3o adianta voc\u00ea esquecer de usar camisinha e sair correndo para fazer o teste. O exame leva 3 a 4 semanas para ficar positivo. Em vez disso, procure a rede p\u00fablica para receber o tratamento preventivo, os rem\u00e9dios que v\u00e3o evitar que o HIV penetre o organismo. N\u00e3o \u00e9 para fazer isso todo fim de semana. \u00c9 uma medida de emerg\u00eancia, que deve ser tomada no m\u00e1ximo 72 horas depois do contato sexual. Passou de 72 horas \u00e9 tarde demais. O tratamento dura um m\u00eas, e os rem\u00e9dios devem ser tomados todos os dias, rigorosamente. Falhou, perdeu o efeito.<\/p>\n<p>Esses rem\u00e9dios de emerg\u00eancia, chamados de profilaxia p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o, ou PEP, est\u00e3o dispon\u00edveis da rede p\u00fablica, mas pouca gente sabe. No ano passado, foram usados pouco mais de 20 mil kits de PEP em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cExiste hoje uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de que a Aids est\u00e1 controlada. Que a Aids n\u00e3o existe mais. Porque n\u00e3o estamos mais vendo na m\u00eddia grandes \u00edcones falecendo com essa doen\u00e7a\u201d, diz Fernando Ferry, cl\u00ednico geral especializado em Aids do Hospital Gaffr\u00e9e Guinle, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 90, Cazuza exp\u00f4s ao p\u00fablico a luta pessoal contra a doen\u00e7a. Depois dele, em 1996, foi Renato Russo quem morreu de complica\u00e7\u00f5es da Aids.<\/p>\n<p><strong>Drauzio Varella:<\/strong>\u00a0O Renato Russo foi talvez a \u00faltima pessoa muito conhecida que morreu de Aids, n\u00e3o \u00e9, Dado?<br \/>\n<strong>Dado Villa-Lobos:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Acho que sim. Contrariamente ao Cazuza, ele preferiu o sigilo, o segredo.<\/p>\n<p>Dado Villa-Lobos tocava com Renato Russo no grupo Legi\u00e3o Urbana. Ney Matogrosso foi amigo e namorado de Cazuza. Eles lembram bem como era naquela \u00e9poca, quando a Aids matava em poucos meses.<\/p>\n<p>\u201cHouve uma semana que eu fui tr\u00eas vezes ao cemit\u00e9rio porque as pessoas morriam assim uma por dia\u201d, conta Ney Matogrosso.<\/p>\n<p>\u201cQuem se criou e cresceu depois n\u00e3o acredita nessa doen\u00e7a. Ent\u00e3o as pessoas n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed para essa doen\u00e7a. \u00c9 como se a doen\u00e7a n\u00e3o existisse no mundo\u201d, diz Ney Matogrosso.<\/p>\n<p>Mas morrem 11 mil por ano no pa\u00eds. \u00c9 muita gente.<\/p>\n<p>\u201cO rem\u00e9dio que existe \u00e9 um rem\u00e9dio maravilhoso porque as pessoas n\u00e3o morrem e n\u00e3o se acabam do jeito que se acabavam, mas n\u00e3o \u00e9 a cura. N\u00e3o tem a cura ainda\u201d, lamenta Ney Matogrosso.<\/p>\n<p>Cazuza e Renato Russo morreram antes que o coquetel de rem\u00e9dios, os chamados antirretrovirais, que ajudam a controlar o HIV, se tornassem realidade, a partir de 1996. Os rem\u00e9dios fazem com que o v\u00edrus pare de se multiplicar e entre em um estado de \u2018dorm\u00eancia\u2019. A pessoa n\u00e3o desenvolve mais a Aids.<\/p>\n<p>O n\u00famero de mortes diminuiu drasticamente, e permitiu aos portadores do HIV viverem uma vida quase normal.<\/p>\n<p>Ivan toma os medicamentos do coquetel diariamente. \u201cEu tomo seis comprimidos, de 12 em 12 horas. Tomo h\u00e1 tr\u00eas anos, todos os dias\u201d, conta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da obriga\u00e7\u00e3o de ter que tomar esse monte de rem\u00e9dios todos os dias para o resto da vida, os pacientes tamb\u00e9m sofrem efeitos colaterais. \u201cMeu primeiro efeito colateral foi tontura, a n\u00e1usea e, no caso, eu na hora de dormir tinha muito pesadelo. Eu tenho essa percep\u00e7\u00e3o de que eu preciso da medica\u00e7\u00e3o para viver. Mas eu posso parar de tomar a medica\u00e7\u00e3o agora e daqui a um m\u00eas, dois meses, uma semana, eu cair doente dentro de um hospital\u201d, diz.<\/p>\n<p>Um em cada cinco jovens n\u00e3o aguenta essa rotina e abandona o tratamento.<\/p>\n<p><strong>Marvin Jer\u00f4nimo Teixeira:<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Eu descobri que estava doente ano passado.<br \/>\n<strong>Drauzio Varella:<\/strong>\u00a0Voc\u00ea tratou e parou no meio do tratamento?<br \/>\n<strong>Marvin:<\/strong>\u00a0Isso. Tinha dia que eu tomava, tinha dia que eu n\u00e3o tomava. Eu achava que um dia n\u00e3o vai me matar. Ficar um dia sem tomar meu rem\u00e9dio.<\/p>\n<p>A Aids se desenvolveu. Resultado? \u201cEu estou perdendo a vis\u00e3o\u201d, conta Marvin.<\/p>\n<p>\u201cA vis\u00e3o dele tem sido afetada por um v\u00edrus chamado citomegalov\u00edrus. Esse citomegalov\u00edrus destr\u00f3i a retina. Vai ficar cego do olho direito e n\u00f3s estamos tentando salvar o olho esquerdo\u201d, explica o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Marvin era pintor de paredes. Sem a vis\u00e3o, n\u00e3o tem mais como trabalhar. \u201cEu achava que eu n\u00e3o ia pegar isso, que n\u00e3o ia chegar a encontrar isso\u201d, conta.<\/p>\n<p>Como ele, um ter\u00e7o dos jovens diz n\u00e3o usar preservativo quase nunca ou nunca, de acordo com uma pesquisa da Unifesp.<\/p>\n<p>\u201cEu achava que era de homossexuais\u201d, afirma Marvin.<\/p>\n<p>\u201cO que tem nos preocupado muito \u00e9 que uma grande quantidade de meninos de 20, 21, 22 anos, est\u00e3o comparecendo ao nosso hospital j\u00e1 com Aids avan\u00e7ada e com doen\u00e7as graves\u201d, diz o doutor Fernando Ferry.<\/p>\n<p>\u201cEntre os jovens de 15 a 24 ela vem crescendo, principalmente entre os jovens do sexo masculino. \u00c9 um crescimento importante. Em uma d\u00e9cada cresceu praticamente 68%\u201d, diz Jarbas Barbosa, secret\u00e1rio de Vigil\u00e2ncia e Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Na popula\u00e7\u00e3o geral, quatro em cada mil pessoas s\u00e3o portadoras do HIV. Mas entre os jovens gays, esse n\u00famero \u00e9 20 vezes maior: 100 em cada 1.000. Hoje, 150 mil pessoas no Brasil n\u00e3o sabem que t\u00eam a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o existe cura para quem tem HIV, mas a esperan\u00e7a pode estar em quem n\u00e3o tem o v\u00edrus. Um \u00fanico comprimido, que, tomado rigorosamente todos os dias, previne a contamina\u00e7\u00e3o em at\u00e9 92%. A profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o, ou PREP, j\u00e1 \u00e9 uma realidade nos Estados Unidos. Uma revolu\u00e7\u00e3o na preven\u00e7\u00e3o da Aids.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a primeira vez em 30 anos que descobrimos uma alternativa para prevenir o HIV al\u00e9m da camisinha. Isso muda tudo. \u00c9 maravilhoso&#8221;, diz Howard Grossman, m\u00e9dico e pesquisador especializado em HIV.<\/p>\n<p>Esse rem\u00e9dio j\u00e1 fazia parte do coquetel para o tratamento dos portadores do v\u00edrus, mas os cientistas descobriram que ele tamb\u00e9m funcionava em quem n\u00e3o tinha o v\u00edrus, mas de forma diferente: criando uma barreira de prote\u00e7\u00e3o e impedindo o HIV de se instalar nas c\u00e9lulas da pessoa.<\/p>\n<p>Damon \u00e9 um dos que resolveram aderir ao PREP. &#8220;Alguns m\u00e9dicos acham que, por tomar esse rem\u00e9dio, as pessoas v\u00e3o parar de usar camisinha. Mas n\u00e3o \u00e9 isso. O rem\u00e9dio \u00e9 para reduzir o risco de contamina\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o paciente Damon Jacobs.<\/p>\n<p>No Brasil, uma pesquisa da Universidade de S\u00e3o Paulo e da Fiocruz, no Rio de Janeiro, ainda est\u00e1 na fase inicial de testes para esse rem\u00e9dio. S\u00f3 deve estar dispon\u00edvel para os brasileiros daqui a dois anos.<\/p>\n<p>O rem\u00e9dio s\u00f3 consegue evitar a transmiss\u00e3o do HIV, e mesmo assim n\u00e3o \u00e9 100% seguro. Por isso, \u00e9 fundamental continuar usando camisinha. At\u00e9 porque existem outras doen\u00e7as t\u00e3o graves quanto a Aids que tamb\u00e9m s\u00e3o sexualmente transmiss\u00edveis. \u00c9 o caso da Hepatite B, por exemplo, que pode ser fatal. Tem que usar a camisinha, sempre. A ci\u00eancia faz a parte dela. Mas para controlar a epidemia, voc\u00ea tamb\u00e9m tem que fazer a sua parte.<\/p>\n<p>\u201cDesde dezembro, quem testa positivo para o HIV j\u00e1 come\u00e7a o tratamento imediatamente. E isso a gente espera que em 4, 5 anos j\u00e1 produza uma redu\u00e7\u00e3o muito importante na transmiss\u00e3o do HIV no Brasil\u201d, diz Jarbas Barbosa.<\/p>\n<p>\u201cAs campanhas s\u00f3 \u2018Use Camisinha&#8217; n\u00e3o ter\u00e3o a repercuss\u00e3o necess\u00e1ria. \u00c9 preciso mudar. Sem educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a de cultura\u201d, diz Regina Bueno, coordenadora do grupo de jovens Vivendo e Convivendo com HIV e Aids.<\/p>\n<p>Depois de um m\u00eas internado, Marvin volta para casa. Sem a vis\u00e3o, os pinc\u00e9is e a tinta agora s\u00e3o apenas uma lembran\u00e7a da profiss\u00e3o que teve desde menino.<\/p>\n<p>\u201cSem a vis\u00e3o vai ser dif\u00edcil. N\u00e3o sei o que eu vou fazer. Eu s\u00f3 acho que eu estou muito novo para morrer agora. Uma coisa eu sei: eu n\u00e3o desejo o que eu estou passando para ningu\u00e9m, n\u00e3o. Pe\u00e7o que as pessoas se cuidem melhor, pensem direitinho. Se eu soubesse que ia ficar assim, eu tinha me prevenido. Tinha me cuidado, usado preservativos. Cuidado melhor de mim\u201d, lamenta Marvin.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fant\u00e1stico acompanhou jovens soropositivos no pa\u00eds. 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