{"id":4708,"date":"2013-12-05T07:20:06","date_gmt":"2013-12-05T10:20:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=4708"},"modified":"2013-12-05T07:20:06","modified_gmt":"2013-12-05T10:20:06","slug":"dez-escolas-publicas-mostram-como-obter-bons-resultados-em-matematica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/dez-escolas-publicas-mostram-como-obter-bons-resultados-em-matematica\/","title":{"rendered":"Dez escolas p\u00fablicas mostram como obter bons resultados em matem\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Ranking mundial colocou o Brasil entre os piores no ensino de matem\u00e1tica.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong><\/strong><\/em><em><strong>Levantamento mostra bons exemplos em escolas p\u00fablicas com notas altas.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Levantamento do Movimento Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, feito com exclusividade para o G1, ap\u00f3s divulga\u00e7\u00e3o do resultado do Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes (Pisa) 2012, aponta que controlar de perto a li\u00e7\u00e3o de casa, oferecer aulas de refor\u00e7o, incentivar e estimular os professores e aproveitar as parcerias com o governo s\u00e3o algumas das medidas adotadas por dez escolas p\u00fablicas brasileiras consideradas &#8220;bons exemplos&#8221; no ensino de matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>O resultado geral do Pisa mostra que o Brasil melhorou, mas que ainda tem muito a avan\u00e7ar no ensino de matem\u00e1tica. Os dados do ranking mundial de educa\u00e7\u00e3o divulgado na ter\u00e7a (3) colocam o pa\u00eds em 58\u00ba lugar entre 65 na\u00e7\u00f5es e evidenciam que a grande maioria dos alunos brasileiros sabe somar, subtrair, multiplicar e dividir, mas n\u00e3o sabe aplicar esses conceitos no dia a dia.<\/p>\n<p>O resultado geral do Pisa mostra que o Brasil melhorou, mas que ainda tem muito a avan\u00e7ar no ensino de matem\u00e1tica. Os dados do ranking mundial de educa\u00e7\u00e3o divulgado na ter\u00e7a (3) colocam o pa\u00eds em 58\u00ba lugar entre 65 na\u00e7\u00f5es e evidenciam que a grande maioria dos alunos brasileiros sabe somar, subtrair, multiplicar e dividir, mas n\u00e3o sabe aplicar esses conceitos no dia a dia (veja o ranking do Pisa 2012).<br \/>\nAs escolas brasileiras avaliadas pelo Movimento Todos pela Educa\u00e7\u00e3o (veja rela\u00e7\u00e3o e dados das escolas no fim da reportagem) mant\u00eam desde 2007 resultados consistentes e acima da m\u00e9dia nacional nas quest\u00f5es de matem\u00e1tica da Prova Brasil, feita a cada dois anos para analisar a qualidade das turmas de 5\u00ba e 9\u00ba ano do ensino fundamental e de 3\u00ba ano do ensino m\u00e9dio. O levantamento revela que alunos dessas escolas t\u00eam desempenho similar aos de institui\u00e7\u00f5es de ponta, como os col\u00e9gios militares, federais e de aplica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCrit\u00e9rio de escolha<br \/>\nO crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o usado no cruzamento de dados foi a porcentagem de alunos do 9\u00ba ano do ensino fundamental \u2013 idade ideal entre 14 e 15 anos \u2013 com aprendizado adequado em matem\u00e1tica acima de 45% na Prova Brasil de 2007, superior a 60% na edi\u00e7\u00e3o 2009 e maior que 70% em 2011.<br \/>\nEm 2011, a meta esperada para o Brasil nesse quesito era de 25,4%, mas a m\u00e9dia nacional ficou em 16,9%. Tendo desempenho acima de 70%, essas escolas j\u00e1 atingiram a meta do Movimento Todos pela Educa\u00e7\u00e3o para 2021 para o aprendizado em matem\u00e1tica no 9\u00ba ano.<br \/>\nSeguindo os crit\u00e9rios acima, foi poss\u00edvel chegar a um grupo de dez escolas nas regi\u00f5es Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Norte e no Nordeste, as escolas p\u00fablicas acima das metas s\u00e3o federais, militares ou de aplica\u00e7\u00e3o, afirma o Todos pela Educa\u00e7\u00e3o. Segundo Priscila Cruz, diretora executiva do movimento, as institui\u00e7\u00f5es destacadas nesse levantamento mostram que fazer o trabalho b\u00e1sico no ensino pode dar bons resultados. &#8220;Elas fazem muito bem feito o b\u00e1sico e conseguem avan\u00e7ar, \u00e0s vezes mais do que aquelas que ficam inventando coisas mirabolantes&#8221;, diz.<br \/>\nPara descobrir os detalhes sobre os projetos pedag\u00f3gicos desse grupo de escolas municipais e estaduais, o G1 entrevistou professores e diretores. Em comum, as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam o fato de serem pequenas, com menos de 100 alunos matriculados no 9\u00ba ano. Elas representam, portanto, o perfil m\u00e9dio das escolas do pa\u00eds \u2013 a m\u00e9dia de matr\u00edculas nessa s\u00e9rie foi, em 2011, de 70 alunos. Veja as cinco principais medidas destacadas pelas escolas no levantamento:<\/p>\n<p>1) N\u00e3o deixar nenhum aluno para tr\u00e1s<br \/>\nO principal foco das escolas \u00e9 &#8220;n\u00e3o deixar o aluno para tr\u00e1s&#8221;. As institui\u00e7\u00f5es ouvidas pelo G1 n\u00e3o fazem vestibulinho nem selecionam os alunos por desempenho acad\u00eamico. Por\u00e9m, elas dizem que mant\u00eam o h\u00e1bito de estar sempre atentas aos estudantes \u2013 novos ou antigos\u2013 que apresentam dificuldades nas aulas. Em matem\u00e1tica, a crian\u00e7a precisa aprender todo o conte\u00fado de uma etapa para ir para a fase (s\u00e9rie) seguinte. Se n\u00e3o aprender cada um desses passos, vai se perdendo no processo ao longo dos anos.<br \/>\nContinuidade no trabalho com os estudantes em todo o ensino fundamental e apoio aos que t\u00eam dificuldade s\u00e3o alguns dos segredos por tr\u00e1s do sucesso que a Escola Municipal Jos\u00e9 Negri, de Sert\u00e3ozinho (SP), tem obtido nos \u00faltimos anos. Em 2011, 80,7% dos estudantes tiveram desempenho adequado em matem\u00e1tica na Prova Brasil \u2013 muito acima da meta do pa\u00eds para 2011, de 25,4% dos alunos.<\/p>\n<p>L\u00e1, al\u00e9m de aulas cl\u00e1ssicas de matem\u00e1tica, os alunos estudam no laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o &#8220;avaliados internamente de v\u00e1rias formas, com provas individuais, mensais e bimestrais, exerc\u00edcios resolvidos em casa e em sala de aula&#8221;. Um dos caminhos seguidos pelos professores para garantir a fixa\u00e7\u00e3o do conte\u00fado \u00e9 partir do concreto para o abstrato, explica a diretora In\u00eas Ang\u00e9lica Servidoni Nogueira Cabril, de 74 anos. Assim, segundo ela, o aluno constr\u00f3i o conhecimento atrav\u00e9s de situa\u00e7\u00f5es-problema.<br \/>\nNa Escola Estadual Francidene Soares Barroso, de Itamarati (AM), das oito aulas semanais de matem\u00e1tica para alunos do ensino fundamental e m\u00e9dio, duas s\u00e3o espec\u00edficas para um melhor desempenho no \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb) e duas para a olimp\u00edada de matem\u00e1tica da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;Fazemos acompanhamento a cada prova aplicada. Os professores que trabalham com ensino da matem\u00e1tica t\u00eam forma\u00e7\u00e3o com cursos espec\u00edficos e trabalham em cima das compet\u00eancias cobradas na Prova Brasil&#8221;, afirma Gleice Menezes, diretora da escola h\u00e1 15 anos.<br \/>\nOs alunos que n\u00e3o acompanham a turma t\u00eam aulas de refor\u00e7o. O col\u00e9gio, por\u00e9m, conta com um poderoso aliado. &#8220;Os estudantes s\u00e3o muito interessados, sempre dizem que gostam mais de matem\u00e1tica e se identificam com a mat\u00e9ria. Nosso desafio agora \u00e9 envolver mais as fam\u00edlias, o que ainda \u00e9 um problema para n\u00f3s&#8221;, diz Gleice.<\/p>\n<p>Desde as s\u00e9ries iniciais do ensino fundamental da Escola Municipal Professor Doriol Beato, de Conselheiro Lafaiete (MG), os alunos s\u00e3o livres para participar de atividades extraclasse de refor\u00e7o, caso tenham dificuldade de aprendizagem espec\u00edfica em matem\u00e1tica. &#8220;S\u00f3 vem o aluno que quer estudar&#8221;, diz a diretora Maria Cristina de Moura Fernandes, que est\u00e1 na escola h\u00e1 22 anos e j\u00e1 atuou como coordenadora e pedagoga do col\u00e9gio. Em 2011, o Doriol teve 76,6% dos alunos com o aprendizado esperado na \u00e1rea.<br \/>\nNa Escola Municipal Pastor Hans M\u00fcller, localizada em Joinville (SC), a evas\u00e3o escolar e o rod\u00edzio de professores s\u00e3o muito baixos. Atualmente, s\u00e3o 830 alunos. Quem entra no 1\u00ba ano costuma ficar at\u00e9 o 9\u00ba e concluir o ensino fundamental. Na grade curricular, os alunos podem optar entre ingl\u00eas e alem\u00e3o. A boa infraestrutura \u00e9 outra aliada: a institui\u00e7\u00e3o tem laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica, biblioteca, quadra coberta e audit\u00f3rio. &#8220;A escola \u00e9 muito procurada por conta dos bons resultados que alcan\u00e7a. Temos uma demanda grande, h\u00e1 pelo menos 20 crian\u00e7as na lista de espera para cada s\u00e9rie&#8221;, afirma a diretora Wally Maria Effting.<\/p>\n<p>2) Incentivar os alunos j\u00e1 avan\u00e7ados<br \/>\nV\u00e1rias das escolas que entraram no levantamento, por terem mais de 70% de seus alunos com aprendizado adequado em matem\u00e1tica em 2011, n\u00e3o se contentam apenas com a palavra &#8220;adequada&#8221;. Por isso, os professores n\u00e3o s\u00f3 ajudam os alunos com maior dificuldade a acompanhar a turma, mas incentivam os estudantes com maior facilidade a continuar avan\u00e7ando em seu pr\u00f3prio ritmo. Uma das maneiras mais comuns de fazer isso \u00e9 por meio das olimp\u00edadas acad\u00eamicas, principalmente a Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica das Escolas P\u00fablicas (Obmep).<br \/>\nPara estimular o interesse de seus estudantes, a professora S\u00f4nia Ruschel Poersch, do Col\u00e9gio Estadual Professor Jacob Milton Bennemann, do munic\u00edpio de Feliz (RS), diz que tomou para si a tarefa de inscrever os alunos nas olimp\u00edadas de matem\u00e1tica e que, apesar de alguns decidirem participar apenas &#8220;fazendo por fazer&#8221;, ela afirma que outros j\u00e1 pegaram gosto pela competi\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o ganharam medalhas.<br \/>\nDe acordo com S\u00f4nia, o que d\u00e1 resultado \u00e9 um trabalho constante de cobran\u00e7a para que os estudantes fa\u00e7am exerc\u00edcios, incluindo li\u00e7\u00f5es de casa v\u00e1rias vezes por semana, com pesquisa e apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos. Suas ferramentas s\u00e3o velhas conhecidas de todas as gera\u00e7\u00f5es: o livro, o caderno, o giz e o quadro negro. &#8220;\u00c9 um trabalho mais tradicional. Em matem\u00e1tica, tem que fazer exerc\u00edcio, assimilar, entender, fazer, fazer e fazer.&#8221;<br \/>\nEm Sert\u00e3ozinho (SP), o estudante Ot\u00e1vio Sarti Alves, de 13 anos, aluno da Escola Municipal Professor Jos\u00e9 Negri, coleciona medalhas em matem\u00e1tica. &#8220;A gente se esfor\u00e7a, mas a qualidade do ensino \u00e9 o que mais conta&#8221;, diz. &#8220;Perguntam se sou inteligente, mas acho que a intelig\u00eancia depende do nosso esfor\u00e7o. Por isso, a gente tem que aproveitar as oportunidades que tem na escola.&#8221;<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o deste ano, 19 estudantes da Unidade Escolar Teot\u00f4nio Ferreira Brand\u00e3o, escola municipal de Cocal dos Alves, no interior do Piau\u00ed, passaram para a segunda fase da Obmep, e 17 foram premiados \u2013 um com medalha de prata, cinco com bronze e 11 com men\u00e7\u00f5es honrosas. Segundo o diretor do col\u00e9gio, Jo\u00e3o de Brito Amaral, os professores v\u00e3o \u00e0 escola aos s\u00e1bados para tirar d\u00favidas dos alunos, que s\u00e3o incentivados a criar grupos de estudos.<br \/>\nPrincipalmente no segundo semestre, e em anos de aplica\u00e7\u00e3o da Prova Brasil e outras avalia\u00e7\u00f5es, a escola tamb\u00e9m instituiu um sistema de refor\u00e7o escolar no contraturno (per\u00edodo inverso \u00e0quele em que o aluno est\u00e1 matriculado), no qual alunos do 9\u00b0 ano s\u00e3o convidados a atuar como professores dos mais novos. &#8220;Eles t\u00eam uma linguagem at\u00e9 mais acess\u00edvel aos estudantes das s\u00e9ries menores. A gente s\u00f3 conta com dois professores de matem\u00e1tica para dar apoio&#8221;, disse Amaral, enfatizando que a escola cumpre todo o curr\u00edculo obrigat\u00f3rio, e n\u00e3o apenas os conte\u00fados que caem na Prova Brasil. Em 2011, 89,5% dos alunos do 9\u00b0 ano apresentaram desempenho adequado na avalia\u00e7\u00e3o do MEC.<br \/>\nDe acordo com o rendimento dos alunos da escola Jos\u00e9 Negri, em Sert\u00e3ozinho (SP), no contraturno eles t\u00eam a possibilidade de estudar de maneira focada. &#8220;Temos aulas que chamamos de apoio, no per\u00edodo contr\u00e1rio, para alunos com dificuldades. E tamb\u00e9m aulas de projetos de olimp\u00edadas para os estudantes avan\u00e7ados. Na sala de aula, h\u00e1 ajuda m\u00fatua entre eles: os mais avan\u00e7ados procuram ajudar os que t\u00eam maior dificuldade&#8221;, explica a diretora In\u00eas.<br \/>\nUm dos alunos que acabaram se destacando na escola foi Ot\u00e1vio Sarti Alves, que conquistou uma medalha de ouro na Obmep de 2013.<\/p>\n<p>3) Estabelecer la\u00e7os fortes com os pais<br \/>\nO envolvimento dos pais \u00e9 um dos fatores citados por professores e diretores dos col\u00e9gios ouvidos pelo G1 como causa direta dos bons resultados. Na Escola Estadual Dom Aquino Correia, em Juruena (MT), cidade de 12 mil habitantes e distante 900 km da capital Cuiab\u00e1, quem elege o diretor \u00e9 a pr\u00f3pria comunidade escolar. Edilso Bratkoski afirma que cumpre seu segundo mandato e, em 2014, deixar\u00e1 a diretoria para voltar a lecionar qu\u00edmica e ci\u00eancia.<br \/>\nMarlene de Paula Freitas, que dirige h\u00e1 cinco anos o Educand\u00e1rio Evang\u00e9lico Eben\u00e9zer, em Gurupi (TO), explica que tenta incentivar os professores e fortalecer parcerias com os pais. Entre os projetos que envolvem as fam\u00edlias, est\u00e1 o Tarefa de Casa, que incentiva os alunos a fazerem li\u00e7\u00f5es de casa com frequ\u00eancia. &#8220;Toda crian\u00e7a precisa fazer a tarefa. Se n\u00e3o fizer, tem que ficar 10 ou 15 minutos depois da aula para faz\u00ea-la&#8221;, conta Marlene.<br \/>\nAl\u00e9m da checagem rigorosa do comprometimento dos estudantes com a li\u00e7\u00e3o de casa, os professores do educand\u00e1rio ficam de olho no desempenho geral de seus alunos. &#8220;Quando a professora percebe que a crian\u00e7a est\u00e1 ficando relapsa, desmotivada, a gente liga para a m\u00e3e e faz convite para vir \u00e0 escola \u2013 n\u00e3o deixa s\u00f3 para o final do ano&#8221;. O mesmo acontece, segundo a diretora do Eben\u00e9zer, na hora de identificar e reduzir as defici\u00eancias dos alunos novos, caso eles cheguem \u00e0 escola atrasados em rela\u00e7\u00e3o aos demais colegas.<br \/>\nA Escola Municipal Professor Governador Portela, de Miguel Pereira (RJ), foi inaugurada em 1942 para atender os funcion\u00e1rios da Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria Miguel Pereira, que funcionou at\u00e9 1996 no distrito de Governador Portela. O col\u00e9gio esteve em opera\u00e7\u00e3o por 55 anos, ficou desativado por dois e foi reabertao pela prefeitura em 2000, no mesmo endere\u00e7o \u2013 um pr\u00e9dio hist\u00f3rico. Na Prova Brasil de 2011, 89,7% dos alunos do 9\u00b0 ano tiveram desempenho adequado em matem\u00e1tica.<br \/>\nSegundo o diretor Vladimir dos Santos Barros, o respeito adquirido no passado pela escola se mant\u00e9m entre os alunos, professores e a comunidade at\u00e9 hoje. S\u00e3o 200 alunos do 6\u00ba ao 9\u00ba ano do ensino fundamental, muitos deles t\u00eam pais que tamb\u00e9m estudaram no col\u00e9gio. &#8220;Os pais s\u00e3o muito engajados. Fazemos eventos envolvendo as fam\u00edlias, o que ajuda a melhorar a qualidade do ensino. A receita \u00e9 simples: h\u00e1 um compromisso de fam\u00edlia, escola e corpo docente com a educa\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Barros.<br \/>\nJ\u00e1 a comunidade da escola catarinense Pastor Hans M\u00fcller \u00e9 t\u00e3o engajada, que os professores se voluntariam para dar aulas de refor\u00e7o no contraturno escolar. Atualmente, o pai de um dos alunos tamb\u00e9m faz isso, mas em anos anteriores j\u00e1 houve participa\u00e7\u00e3o de estudantes do ensino m\u00e9dio de escolas particulares da regi\u00e3o. Ainda no per\u00edodo inverso ao das aulas regulares, os estudantes t\u00eam como op\u00e7\u00e3o atividades como aulas de dan\u00e7a, capoeira e italiano.<\/p>\n<p>4) Recursos e programas do governo<br \/>\nO Educand\u00e1rio Evang\u00e9lico Eben\u00e9zer, do Tocantins, tem, al\u00e9m do desempenho acima da m\u00e9dia na Prova Brasil e de uma coloca\u00e7\u00e3o privilegiada entre as 50 melhores escolas p\u00fablicas do Brasil no Ideb, 70% das medalhas em olimp\u00edadas do conhecimento conquistadas por estudantes do estado, diz a diretora Marlene.<br \/>\nCom os bons resultados, vieram tamb\u00e9m os b\u00f4nus por desempenho a professores, alunos e at\u00e9 funcion\u00e1rios que cuidam da limpeza e da merenda. A escola tamb\u00e9m aderiu a programas dos governos. Por causa de um deles, conseguiu mais de 600 laptops, que os alunos usam tanto na escola quanto em casa.<br \/>\nNa escola Dom Aquino, de Mato Grosso, o foco da equipe gestora \u00e9 trabalhar a leitura e interpreta\u00e7\u00e3o de texto com os alunos, o que tamb\u00e9m resulta em bons resultados em matem\u00e1tica. Mas o incentivo est\u00e1 ancorado em infraestrutura: para incentivar a leitura entre os mais de mil estudantes da escola, entre ensino fundamental e Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA), a biblioteca \u00e9 bem &#8220;recheada&#8221;. S\u00e3o quase 9 mil t\u00edtulos, al\u00e9m de revistas e gibis. &#8220;Costumamos comprar livros que os alunos indicam e, em m\u00e9dia, fazemos 120 loca\u00e7\u00f5es por dia.&#8221; Os professores tamb\u00e9m levam para salas de aula uma &#8220;caixa de leitura&#8221;, com alguns livros que os alunos leem durante os intervalos.<\/p>\n<p>5) Forma\u00e7\u00e3o continuada dos professores<br \/>\nIncentivo \u00e0 reciclagem e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o continuada dos professores de todas as \u00e1reas, incluindo matem\u00e1tica, tamb\u00e9m \u00e9 um fator que ajudou as escolas p\u00fablicas (fora das redes federal, militar e de aplica\u00e7\u00e3o) que j\u00e1 bateram a meta nacional para 2021 em matem\u00e1tica no 9\u00b0 ano do ensino fundamental. Dos tr\u00eas professores de matem\u00e1tica da Escola Estadual Pio XII, de Bom Princ\u00edpio (RS), dois j\u00e1 conclu\u00edram cursos de especializa\u00e7\u00e3o e um atualmente faz mestrado, por exemplo.<\/p>\n<p>Segundo a diretora Maridalfa Luft, a forma\u00e7\u00e3o dos professores \u00e9 um fator positivo n\u00e3o s\u00f3 em matem\u00e1tica, mas em outras mat\u00e9rias. &#8220;Aprimorar a capacidade de leitura e interpreta\u00e7\u00e3o de textos, desenvolver a habilidade de argumenta\u00e7\u00e3o, modelar, elaborar hip\u00f3teses em experimentos e estimular a criatividade s\u00e3o algumas entre muitas atividades que contribuem para o sucesso da aprendizagem e acabam refletindo no aprimoramento do processo de ensino e aprendizagem&#8221;, explica Maridalfa.<br \/>\nSem b\u00f4nus financeiro atrelado ao desempenho dos professores ou recursos tecnol\u00f3gicos que v\u00e3o al\u00e9m de uma sala digital, a diretora conta que a escola se apoia na dedica\u00e7\u00e3o dos profissionais, no trabalho consistente em todos os n\u00edveis de ensino, na participa\u00e7\u00e3o dos pais no cotidiano escolar e no aproveitamento de todas as oportunidades, como as olimp\u00edadas de l\u00edngua portuguesa, matem\u00e1tica e f\u00edsica, da qual a Pio XII teve um aluno selecionado para a segunda fase j\u00e1 em sua estreia, no ano passado.<br \/>\nPara garantir que todos os estudantes consigam acompanhar os conte\u00fados em sala de aula, os professores investem na recupera\u00e7\u00e3o deles e &#8220;desenvolvem atividades diferenciadas para oferecer novas op\u00e7\u00f5es de compreender conceitos que n\u00e3o foram entendidos de forma satisfat\u00f3ria&#8221;. Al\u00e9m disso, h\u00e1 promo\u00e7\u00e3o de atividades em grupo, nas quais os colegas se ajudam mutuamente. Com os pais, a diretora procura sugerir atividades de lazer que tamb\u00e9m ajudam na fixa\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, como jogos educativos e pr\u00e1ticas que usam o racioc\u00ednio e a elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias, como o xadrez.<\/p>\n<p>A diretora Wally Maria, da escola Pastor Hans M\u00fcller, em Joinville (SC), destacou a baixa rotatividade de docentes como um indicador de qualidade. &#8220;Os professores s\u00e3o concursados e permanecem por muitos anos na escola. Isso permite que eles conhe\u00e7am bem as crian\u00e7as e as acompanhem durante os nove anos. Os pais tamb\u00e9m s\u00e3o muito presentes e ajudam a cobrar as tarefas em casa&#8221;, afirmou.<br \/>\nA coopera\u00e7\u00e3o entre professores tamb\u00e9m d\u00e1 resultados. Na escola mineira Doriol Beato, os alunos com dificuldades em matem\u00e1tica t\u00eam dois professores \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o: o regular, da sala de aula, e o &#8220;recuperador&#8221;, que ensina no contraturno. &#8220;H\u00e1 um trabalho de equipe: um professor sempre d\u00e1 continuidade ao trabalho do outro na s\u00e9rie seguinte&#8221;, afirma a diretora Maria Cristina, da Escola Estadual Pio XII, de Bom Princ\u00edpio (RS).<\/p>\n<p><em><strong>Do G1<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ranking mundial colocou o Brasil entre os piores no ensino de matem\u00e1tica. 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