{"id":7524,"date":"2014-01-15T09:11:15","date_gmt":"2014-01-15T12:11:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=7524"},"modified":"2014-01-15T09:11:15","modified_gmt":"2014-01-15T12:11:15","slug":"estou-acreditando-nesse-recomeco-diz-dependente-sobre-novo-programa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/estou-acreditando-nesse-recomeco-diz-dependente-sobre-novo-programa\/","title":{"rendered":"&#8216;Estou acreditando nesse recome\u00e7o&#8217;, diz dependente sobre novo programa"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Flanelinha de 43 anos vive em barraco na regi\u00e3o da Cracol\u00e2ndia, em SP.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Ele ser\u00e1 levado a hotel da regi\u00e3o e ir\u00e1 trabalhar em atividades de zeladoria.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os dependentes qu\u00edmicos que vivem nas ruas da Cracol\u00e2ndia, no Centro de S\u00e3o Paulo, dizem ver com otimismo a Opera\u00e7\u00e3o Bra\u00e7os Abertos, programa da Prefeitura de S\u00e3o Paulo que ir\u00e1 oferecer R$ 15 por dia de trabalho, al\u00e9m de moradia em hot\u00e9is da regi\u00e3o e refei\u00e7\u00f5es. Cerca de 300 pessoas que moram em barracos nas cal\u00e7adas nas ruas Helv\u00e9tia e Dino Bueno come\u00e7am a trabalhar em atividades de zeladoria em pra\u00e7as ainda nesta semana.<\/p>\n<p>O flanelinha Alexandre Jos\u00e9 dos Santos, de 43 anos, que mora h\u00e1 4 meses em um dos barracos montados na cal\u00e7ada da Rua Dino Bueno, espera mudar de vida com a nova oportunidade de trabalho e est\u00e1 feliz com a reinser\u00e7\u00e3o social. &#8220;Eu estou acreditando nesse recome\u00e7o, com mais esperan\u00e7a no servi\u00e7o, que falaram que \u00e9 de limpeza urbana. N\u00e3o tanto pela moradia, mais pelo emprego. Moradia depois a gente conquista&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Ele conta que morava em Ferraz de Vasconcelos, na Grande S\u00e3o Paulo, e chegou \u00e0 Cracol\u00e2ndia ap\u00f3s uma briga com familiares. Usu\u00e1rio de crack desde 1990, o flanelinha diz que costumava frequentar o local somente aos domingos antes da mudan\u00e7a. &#8220;Eu acordo cedo, vou para a Rep\u00fablica, olho uns carros, umas 17h eu volto, pago um hotel, tomo um banho, fa\u00e7o minha higiene pessoal por R$ 6. Depois, eu consumo minha droga de prefer\u00eancia, que \u00e9 o crack&#8221;, relata Santos ao G1.<\/p>\n<p>Apesar de o tratamento m\u00e9dico para o t\u00e9rmino da depend\u00eancia n\u00e3o ser obrigat\u00f3rio, Santos acredita que ele seja fundamental para o sucesso do programa. &#8220;Se tiver uma ajuda por parte da sa\u00fade vai ser bom, mas s\u00f3 levando a gente pra um albergue ou dando moradia, n\u00e3o adianta. Tem que ter um acompanhamento psicol\u00f3gico&#8221;, ressalta o flanelinha, que conta j\u00e1 ter passado por tratamento antes.<\/p>\n<p>Quanto ao cen\u00e1rio da Cracol\u00e2ndia, Santos acha que pouca coisa ir\u00e1 mudar ap\u00f3s a desocupa\u00e7\u00e3o das cal\u00e7adas. &#8220;As barracas podem acabar, mas a Cracol\u00e2ndia nunca acaba. O v\u00edcio continua.&#8221; Segundo o cronograma da Prefeitura, Santos deve ser levado para um hotel nesta quarta-feira (15).<\/p>\n<p>Cheia de expectativa, uma usu\u00e1ria de drogas de 29 anos, que preferiu n\u00e3o divulgar o nome, arrumava seus pertences no in\u00edcio da noite desta ter\u00e7a-feira (14) para levar para seu novo lar. Ela j\u00e1 sabe o hotel que vai ficar na Rua Helv\u00e9tia, onde dividir\u00e1 o quarto com um companheiro. &#8220;Dei sorte, vou ficar em uma su\u00edte no melhor hotel da regi\u00e3o&#8221;, disse, animada.<\/p>\n<p>Vivendo h\u00e1 8 meses nas ruas da Cracol\u00e2ndia, ela abandonou sua casa na Zona Sul da capital paulista para ficar mais pr\u00f3xima do seu v\u00edcio. &#8220;Prefiro o crack, mas uso de tudo um pouco&#8221;, relatou. J\u00e1 Rita Rose, uma das l\u00edderes do grupo dos dependentes, que diz ter intermediado as negocia\u00e7\u00f5es da a\u00e7\u00e3o entre a Prefeitura e usu\u00e1rios, espera ter uma vida melhor acomodada em um hotel. &#8220;Tenho c\u00e2ncer, vou poder ter uma vida melhor, com mais sa\u00fade. N\u00e3o vou ficar mais debaixo de chuva e terei uma cama para deitar&#8221;, disse ela.<\/p>\n<p>At\u00e9 a noite desta ter\u00e7a-feira (14), somente uma parte da Rua Helv\u00e9tia havia tido os barracos desmontados. Funcion\u00e1rios da limpeza urbana retiravam sacos de lixo e varriam o ch\u00e3o ap\u00f3s lavagem. O local tamb\u00e9m era vigiado por guardas civis metropolitanos e policiais militares.<\/p>\n<p><strong>Bra\u00e7os Abertos<\/strong><br \/>\nA Opera\u00e7\u00e3o Bra\u00e7os Abertos \u00e9 uma nova tentativa de solucionar o problema do uso de drogas na regi\u00e3o central da cidade. Cerca de 300 pessoas que moram em barracos nas cal\u00e7adas nas ruas Helv\u00e9tia e Dino Bueno se mudar\u00e3o para cinco hot\u00e9is na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo municipal pretende, assim, tamb\u00e9m liberar o uso dessas ruas e cal\u00e7adas ao p\u00fablico ap\u00f3s cerca de tr\u00eas meses de ocupa\u00e7\u00e3o. Os barracos come\u00e7am a ser desmontados nesta ter\u00e7a, mas a a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 intensificada nesta quarta-feira (15).<\/p>\n<p>Cada usu\u00e1rio participante do programa vai receber R$ 15 pelo dia de trabalho. Segundo a secret\u00e1ria municipal de Assist\u00eancia Social, Luciana Temer, a estrat\u00e9gia n\u00e3o busca que os usu\u00e1rios larguem a droga imediatamente, mas, sim, &#8220;despertar nessas pessoas o desejo de transforma\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o ser\u00e3o desligados do programa se faltarem no trabalho. O ideal \u00e9 que isso aconte\u00e7a, no entanto, quando precisarem se tratar, segundo a estrat\u00e9gia. Equipes v\u00e3o acompanhar os participantes e eles ser\u00e3o descredenciados apenas quando realmente n\u00e3o mostrarem mais interesse em participar.<\/p>\n<p>Nesta quarta, a Prefeitura levar\u00e1 caminh\u00f5es at\u00e9 o local para come\u00e7ar a retirada oficial da favela. Os barracos ser\u00e3o desmontados pelos pr\u00f3prios moradores, com apoio e coordena\u00e7\u00e3o da ONG Uni\u00e3o Social Brasil Gigante. Segundo Luciana, a ideia \u00e9 que o programa n\u00e3o seja algo imposto, para que os moradores n\u00e3o se fechem \u00e0 iniciativa.<\/p>\n<p>No total, a Prefeitura oferta 400 vagas, mas 300 pessoas j\u00e1 foram cadastradas em um trabalho de aproxima\u00e7\u00e3o feito pela Prefeitura desde o ano passado. No processo, duas pessoas j\u00e1 declararam que n\u00e3o desejam participar. O custo por pessoa para a Prefeitura ser\u00e1 de cerca de R$ 1.215 mensais por participante, incluindo por exemplo os valores que ser\u00e3o pagos com os hot\u00e9is. Os participantes ter\u00e3o caf\u00e9, almo\u00e7o e jantar pelo programa Bom Prato.<\/p>\n<p>Dependentes que t\u00eam companheiros ficar\u00e3o em um quarto. No caso dos solteiros, eles ficar\u00e3o hospedados em quartos com tr\u00eas ou quatro pessoas, segundo a Prefeitura.<\/p>\n<p>Apesar do foco no trabalho, a a\u00e7\u00e3o \u00e9 voltada e comandada pela \u00e1rea da sa\u00fade. O atendimento se dar\u00e1 especialmente no equipamento denominado Bra\u00e7os Abertos, instalado na regi\u00e3o. Equipes do programa Consult\u00f3rio de Rua, que s\u00e3o vinculadas \u00e0 UBS Santa Cec\u00edlia e fazem abordagem aos usu\u00e1rios, continuar\u00e3o seu trabalho.<\/p>\n<p>Segundo o secret\u00e1rio Jos\u00e9 de Filippi J\u00fanior, as a\u00e7\u00f5es at\u00e9 2012 eram voltadas \u00e0 interna\u00e7\u00e3o, preferencialmente em locais afastados. Ele afirma que a opera\u00e7\u00e3o anterior, por ter um foco maior do que atual, segundo ele, em interna\u00e7\u00f5es e na for\u00e7a policial, acabou afastando os usu\u00e1rios. O secret\u00e1rio disse que a atual gest\u00e3o come\u00e7ou a estruturar uma Pol\u00edtica de \u00c1lcool e Droga em janeiro de 2013.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio municipal da Seguran\u00e7a, Roberto Porto, afirma que a PM vai monitorar a a\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a Guarda Civil Metropolitana recebeu treinamento para a a\u00e7\u00e3o e ter\u00e1 como uma das fun\u00e7\u00f5es impedir o surgimento de novos barracos. Porto afirmou que, apesar do car\u00e1ter de sa\u00fade de a\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m ser\u00e1 coibido o tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico de interven\u00e7\u00f5es na Cracol\u00e2ndia<\/strong><br \/>\nAntes da Opera\u00e7\u00e3o Bra\u00e7os Abertos, a mais recente tentativa de interven\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o havia ocorrido em 2012. Batizada de &#8220;A\u00e7\u00e3o Integrada Centro Legal&#8221;, a opera\u00e7\u00e3o deflagrada em 3 de janeiro de 2012 intensificou a\u00e7\u00f5es j\u00e1 realizadas pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo, \u00e0 \u00e9poca sob comando de Gilberto Kassab, e apoiadas pelo governo do estado no local desde 2009.<\/p>\n<p>O governo estadual afirma que as medidas adotadas em 2012 na regi\u00e3o tiveram como foco ampliar a oferta de atendimento e de acolhimento social aos dependentes. Entretanto, no per\u00edodo, o uso de for\u00e7as de seguran\u00e7a (Pol\u00edcia Militar e Guarda Civil Metropolitana) terminou em protestos de ativistas, Defensoria e representa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s registro de imagens que mostravam a\u00e7\u00e3o ostensiva da PM, o governador Geraldo Alckmin decidiu proibir o uso de bombas de efeito moral e balas de borracha em a\u00e7\u00f5es na Cracol\u00e2ndia.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, a Promotoria de Justi\u00e7a de Direitos Humanos &#8211; Inclus\u00e3o Social questionou a falta de justificativas para uma a\u00e7\u00e3o do tipo, que impedia o livre direito de ir e vir e criava as chamadas &#8220;prociss\u00f5es do crack&#8221;, quando os dependentes eram impedidos de ficar parados e seguiam escoltados pela PM por ruas da regi\u00e3o. A Defensoria P\u00fablica tamb\u00e9m questionou o uso da for\u00e7a policial na A\u00e7\u00e3o Integrada.<\/p>\n<p>Um ano depois da opera\u00e7\u00e3o, o G1 visitou ruas do centro e verificou que os dependentes permaneceram na regi\u00e3o e que o n\u00famero de vias com usu\u00e1rios monitoradas em S\u00e3o Paulo aumentou de 17 para 33. Foi no come\u00e7o de 2013 que o governo de S\u00e3o Paulo criou medidas para facilitar a interna\u00e7\u00e3o de dependentes.<\/p>\n<p><em><strong>Do G1<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Flanelinha de 43 anos vive em barraco na regi\u00e3o da Cracol\u00e2ndia, em SP. 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