{"id":7742,"date":"2014-01-18T09:35:02","date_gmt":"2014-01-18T12:35:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=7742"},"modified":"2014-01-18T09:35:02","modified_gmt":"2014-01-18T12:35:02","slug":"obra-de-ferrovia-no-piaui-ja-consumiu-r-1-bilhao-parou-e-vai-atrasar-6-anos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/obra-de-ferrovia-no-piaui-ja-consumiu-r-1-bilhao-parou-e-vai-atrasar-6-anos\/","title":{"rendered":"Obra de ferrovia no Piau\u00ed j\u00e1 consumiu R$ 1 bilh\u00e3o, parou e vai atrasar 6 anos"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Or\u00e7amento da obra saltou de R$ 4,5 bilh\u00f5es, em 2007, para R$ 7,5 bilh\u00f5es.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Transnordestina foi prometida para 2010, mas a nova previs\u00e3o \u00e9 para 2016.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>As obras da ferrovia Transnordestina no sert\u00e3o do Piau\u00ed, que j\u00e1 consumiram R$ 1,075 bilh\u00e3o e deveriam ter sido entregues em 2010, est\u00e3o paralisadas e abandonadas desde setembro de 2013, quando o contrato entre a concession\u00e1ria Transnordestina Log\u00edstica S\/A (TLSA) e a construtora Odebrecht foi rescindido. O valor investido no trecho piauiense corresponde a mais de dois ter\u00e7os do total de R$ 1,456 bilh\u00e3o previsto ap\u00f3s um recente financiamento complementar feito pelo governo federal.<\/p>\n<p>O G1 visitou trechos da ferrovia em obras nas cidades de Paulistana e Curral Novo do Piau\u00ed e n\u00e3o viu trabalhadores ou m\u00e1quinas em a\u00e7\u00e3o. O nome da empreiteira contratada para o trabalho j\u00e1 n\u00e3o consta mais nas placas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/transnordestina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-7744 alignleft\" alt=\"transnordestina\" src=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/transnordestina.jpg\" width=\"300\" height=\"973\" \/><\/a>Segundo o Minist\u00e9rio dos Transportes, foram executados apenas 42% dos trabalhos de infraestrutura e 35% das obras de arte especiais \u2013 pontes e viadutos \u2013 nos 420 quil\u00f4metros da linha entre as cidades de Eliseu Martins (PI) e Trindade (PE).<\/p>\n<p>O or\u00e7amento total para a constru\u00e7\u00e3o nos tr\u00eas estados saltou de R$ 4,5 bilh\u00f5es, em 2007, para R$ 7,5 bilh\u00f5es, em 2013. O G1 procurou a Transnordestina Log\u00edstica S.A. por telefone e e-mails entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, mas a empresa n\u00e3o detalha o que j\u00e1 foi feito no trecho com o dinheiro. O Tribunal de Contas da Uni\u00e3o disse que n\u00e3o encontrou irregularidades at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>A ferrovia come\u00e7ou a ser constru\u00edda em junho de 2006, no governo do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, e deveria ter ficado pronta quatro anos depois, ao final do mandato. De acordo com o governo federal, o projeto prev\u00ea 2.304 quil\u00f4metros de ferrovia, beneficiando 81 munic\u00edpios \u2013 19 no Piau\u00ed, 28 no Cear\u00e1 e 34 em Pernambuco.<\/p>\n<p>O atraso na conclus\u00e3o da ferrovia Transnordestina prejudica a expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio e da minera\u00e7\u00e3o no Piau\u00ed, que v\u00ea nesse empreendimento a chance de potencializar o transporte de cargas, escoando gr\u00e3os e min\u00e9rios at\u00e9 o mar a custos mais baixos. O estado j\u00e1 tem ferrovias que v\u00e3o at\u00e9 os portos de Pec\u00e9m (CE) e Itaqui (MA), mas a Transnordestina ligaria as regi\u00f5es de agroneg\u00f3cios e de minera\u00e7\u00e3o ao porto de Suape (PE).<\/p>\n<p>Inicialmente, a ferrovia seria constru\u00edda pelo governo federal, mas por falta de verba e a entraves burocr\u00e1ticos, o projeto foi entregue para a Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN), que criou a empresa Transnordestina Log\u00edstica S.A. (TLSA) para ser concession\u00e1ria da obra. O governo federal ent\u00e3o firmou compromisso de garantir financiamentos de bancos e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. J\u00e1 os estados envolvidos ficaram respons\u00e1veis pelas desapropria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A ferrovia Trasnordestina n\u00e3o faz parte do Programa de Investimento em Log\u00edstica (PIL), criado em agosto de 2012 para destravar gargalos hist\u00f3ricos do transporte e aquecer a economia brasileira em meio \u00e0 crise internacional. A previs\u00e3o era investir R$ 91 bilh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de 10 mil quil\u00f4metros de ferrovias, mas, at\u00e9 agora, nenhum trecho foi leiloado.<\/p>\n<p>Um dos motivos para o fracasso foi a desconfian\u00e7a do empresariado em rela\u00e7\u00e3o aos projetos, principalmente por conta da participa\u00e7\u00e3o da estatal Valec no neg\u00f3cio. Para reverter o quadro, o governo decidiu terceirizar a produ\u00e7\u00e3o de projetos para constru\u00e7\u00e3o de novas ferrovias, que agora ser\u00e3o elaborados pelo setor privado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) pediu uma s\u00e9rie de corre\u00e7\u00f5es no projeto para reduzir custos e s\u00f3 aprovou o novo modelo de concess\u00e3o no fim de 2013. A empresa\u00a0 vencedora do leil\u00e3o vai apenas construir, manter e operar as linhas. Toda a capacidade de transporte de carga por esses trilhos ser\u00e1 comprada pela Valec. O plano garante livre acesso aos trilhos, o que deve levar a concorr\u00eancia e queda de pre\u00e7o no transporte de cargas, mas a estatal assume o risco de preju\u00edzo caso a demanda das empresas transportadoras seja menor que o previsto.<\/p>\n<p>O governo espera fazer o primeiro leil\u00e3o at\u00e9 mar\u00e7o de 2014.<\/p>\n<p>Atraso de 6 anos<br \/>\nSegundo o Minist\u00e9rio dos Transportes, greves depois do descumprimento de acordo coletivo relativo ao pagamento de gratifica\u00e7\u00f5es aos oper\u00e1rios, quebra de acordos e atrasos nas desapropria\u00e7\u00f5es s\u00e3o alguns dos fatores que contribu\u00edram para o atraso na Transnordestina. Ao G1 o minist\u00e9rio disse que o governo n\u00e3o tem qualquer participa\u00e7\u00e3o ou interven\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es contratuais entre a concession\u00e1ria e as construtoras que executam a obra, e garantiu que cobra os resultados estabelecidos nos acordos de financiamento e no contrato de concess\u00e3o, firmado e fiscalizado pela Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).<\/p>\n<p>Em nota, a construtora Odebrecht informou que a rescis\u00e3o com a Transnordestina Log\u00edstica S.A. foi feita de maneira amig\u00e1vel, mas n\u00e3o disse o que motivou a empreiteira a romper o contrato. A Transnordestina tamb\u00e9m foi procurada, mas n\u00e3o quis comentar nada sobre o assunto.<\/p>\n<p>O governo federal afirmou que, ap\u00f3s a sa\u00edda da Odebrecht, a Transnordestina Log\u00edstica est\u00e1 contratando novas empresas para a retomada das obras. A previs\u00e3o da concession\u00e1ria era de reiniciar os trabalhos em dezembro de 2013 e entregar a ferrovia conclu\u00edda em setembro de 2016, com seis anos de atraso em rela\u00e7\u00e3o ao prazo inicial e cinco anos al\u00e9m do previsto no cronograma do balan\u00e7o quadrimestral do PAC 2, divulgado dia 17 de outubro de 2013.<\/p>\n<p>At\u00e9 o \u00faltimo balan\u00e7o, o governo ainda via a possibilidade de ter a Transnordestina conclu\u00edda no fim de 2015. Em setembro, no entanto, o acordo dos acionistas foi renegociado e novas cl\u00e1usulas foram impostas, depois das discuss\u00f5es entre a Companhia Sider\u00fargica Nacional e o Minist\u00e9rio dos Transportes.<\/p>\n<p>O \u00fanico trecho com possibilidade de ser conclu\u00eddo ainda em 2014, segundo balan\u00e7o do PAC, fica entre Salgueiro (PE) e Trindade (PE). O peda\u00e7o tem 163 km de extens\u00e3o e est\u00e1 previsto para setembro. Os demais trechos, que somam mais de 90% da extens\u00e3o total da ferrovia, s\u00f3 v\u00e3o ficar prontos entre junho e setembro de 2016.<\/p>\n<p>Atraso para o agroneg\u00f3cio<br \/>\nSegundo a Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Tecnol\u00f3gico (Sedet), a ferrovia vai dobrar o volume de exporta\u00e7\u00f5es da soja no estado. O atraso na constru\u00e7\u00e3o e a aus\u00eancia de um porto no estado s\u00e3o os maiores problemas para o desenvolvimento do agroneg\u00f3cio no Piau\u00ed. Entre 2009 e 2011, foram exportados mais de R$ 183 milh\u00f5es pelo Porto de Itaqui, em S\u00e3o Lu\u00eds (MA), e R$ 156 milh\u00f5es pelo Porto de Pec\u00e9m, em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante (CE).<\/p>\n<p>Para o secret\u00e1rio de Desenvolvimento, Warton Santos, a conclus\u00e3o da ferrovia \u00e9 esperada com ansiedade pelos setores produtivos. &#8220;A ferrovia Transnordestina vai cortar mais de 1 mil km da regi\u00e3o dos Cerrados Piauienses, que mais cresce na produ\u00e7\u00e3o de soja, algod\u00e3o e milho, al\u00e9m de min\u00e9rios. Para se ter uma ideia, a mineradora Bemisa, que tem projetos implantados na Bahia, Minas Gerais, Goi\u00e1s, Par\u00e1 e Mato Grosso, instalou-se recentemente na regi\u00e3o a investiu mais de US$ 5 milh\u00f5es&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja do Piau\u00ed (Aprosoja), Moys\u00e9s Barjud, disse que a Transnordestina possibilitar\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o de custos, j\u00e1 que o transporte rodovi\u00e1rio aconteceria somente at\u00e9 a cidade de Eliseu Martins. No entanto, a associa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o tem um c\u00e1lculo sobre o tamanho da redu\u00e7\u00e3o, que depender\u00e1 do pre\u00e7o do transporte ferrovi\u00e1rio at\u00e9 o porto.<\/p>\n<p>&#8220;Os benef\u00edcios dessa obra s\u00e3o imensos e evidentes: facilita\u00e7\u00e3o da chegada dos insumos agr\u00edcolas at\u00e9 as fazendas \u2013 o que, indiretamente, gera um incremento tecnol\u00f3gico e produtivo dos empreendimentos agr\u00edcolas \u2013 e, \u00e9 claro, no escoamento da produ\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou Barjud.<\/p>\n<p>Apesar de toda a expectativa dos produtores e da Secretaria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Tecnol\u00f3gico, a ferrovia n\u00e3o \u00e9 bem vista pelo secret\u00e1rio estadual de Transportes, Avelino Neiva, que chegou a declarar durante a apresenta\u00e7\u00e3o do Plano de Desenvolvimento Econ\u00f4mico Sustent\u00e1vel (PDES), que aconteceu na \u00faltima semana de novembro, que a obra \u00e9 um projeto mal tra\u00e7ado e que n\u00e3o agregar\u00e1 valor nenhum ao estado.<\/p>\n<p>&#8220;O Piau\u00ed se transformar\u00e1 em um mero exportador de mat\u00e9ria-prima. N\u00e3o teremos nenhum valor agregado com essa obra. Poder\u00edamos ter 30% do valor que est\u00e1 sendo investido nela, algo em torno de R$ 2,5 bilh\u00f5es, para construir 700 km de ferrovia partindo do ponto onde foi iniciada a Transnordestina no Piau\u00ed at\u00e9 o Porto de Lu\u00eds Correia. Dessa forma n\u00e3o ir\u00edamos apenas fazer o transporte de produtos, mas agregar valor econ\u00f4mico aqui e gerar riquezas. Se eu tivesse sido ouvido na \u00e9poca do seu tra\u00e7ado, nunca teria aprovado essa obra, mas j\u00e1 \u00e9 um fato consumado e temos que aprender a viver inteligentemente com isso&#8221;, declarou.<\/p>\n<p><em><strong>Do G1<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Or\u00e7amento da obra saltou de R$ 4,5 bilh\u00f5es, em 2007, para R$ 7,5 bilh\u00f5es. 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