{"id":83565,"date":"2021-04-18T21:02:51","date_gmt":"2021-04-19T00:02:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=83565"},"modified":"2021-04-18T21:02:54","modified_gmt":"2021-04-19T00:02:54","slug":"o-luto-por-covid-19-e-muito-doloroso-afirma-psicologa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/o-luto-por-covid-19-e-muito-doloroso-afirma-psicologa\/","title":{"rendered":"\u201cO luto por Covid-19 \u00e9 muito doloroso\u201d, afirma psicologa"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Manoela nascimento tamb\u00e9m vive o seu luto particular com a perda do pai, primeira v\u00edtima da Covid em Afogados.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Andr\u00e9 Luis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O programa&nbsp;<strong>A Tarde \u00e9 Sua<\/strong>&nbsp;da&nbsp;<strong>R\u00e1dio Paje\u00fa<\/strong>, conversou na \u00faltima sexta-feira (16), com a psicologa cl\u00ednica, Manoela Nascimento, sobre como lidar com o luto nestes tempos de pandemia provocada pelo novo coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>Manoela, que tamb\u00e9m vive o seu luto, ap\u00f3s perder o pai, o ex-prefeito de Afogados da Ingazeira, Jos\u00e9 Silv\u00e9rio Queiroz de Brito, falecido no dia 18 de junho de 2020, ap\u00f3s complica\u00e7\u00f5es decorrentes da Covid-19. Ele foi a primeira v\u00edtima da doen\u00e7a no munic\u00edpio. Ou\u00e7a abaixo a \u00edntegra da entrevista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/ManoelaNascimento-16-04-21.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Manoela, vivenciar esse per\u00edodo, diante de tudo que est\u00e1 acontecendo \u00e9 muito dif\u00edcil. \u201cPorque quando a gente fala de luto, falamos sobre um rompimento de v\u00ednculo. Estamos vivendo um luto social, um luto por perda e o luto pela falta de liberdade. Ent\u00e3o quando a gente fala de luto, esse luto se estende a outros aspectos da nossa vida\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a psicologa, as priva\u00e7\u00f5es impostas pela pandemia e ao o que consider\u00e1vamos como uma vida normal, tem suas consequ\u00eancias e sequelas. \u201cA humanidade n\u00e3o estava preparada para esta tempestade que estamos enfrentando, que j\u00e1 dura h\u00e1 mais de um ano e o luto pela perda, que \u00e9 o rompimento do v\u00ednculo e da afetividade\u2026 porque o luto d\u00f3i tanto, porque perdemos algu\u00e9m? Eu tenho certeza que todo mundo se pergunta: \u2018como \u00e9 que vai ficar a vida da gente, no pr\u00f3ximo ano, daqui a dois, tr\u00eas, cinco anos? Como a humanidade vai estar depois de tudo isso que temos passado? Ent\u00e3o, assim, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil enfrentar, mas precisamos. Para ter sa\u00fade mental \u00e9 preciso ter resili\u00eancia e ressignificar muita coisa na nossa vida\u201d, destaca Manoela.<\/p>\n\n\n\n<p>Manoela relatou o que tem passado diante da perda do pai. \u201cEu tamb\u00e9m estou vivendo o meu luto. Desde junho de 2020, que perdemos nosso pai, e a gente vem tentando ter resili\u00eancia, tentando ressignificar. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil! As pessoas \u00e0s vezes imaginam que pelo fato de eu ser psicologa \u00e9 mais f\u00e1cil, mas n\u00e3o \u00e9. Eu sou psicologa no consult\u00f3rio, mas quando eu saio dele, eu sou um ser humano que tenho uma vida normal. As minhas emo\u00e7\u00f5es, eu tenho que viver e para quem est\u00e1 ouvindo, que perdeu algu\u00e9m, quem est\u00e1 com algu\u00e9m agora no hospital, uma coisa que nos sustenta realmente \u00e9 a f\u00e9, independente da religi\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como dica para as pessoas que est\u00e3o tendo que lidar com a perda de algu\u00e9m nesse per\u00edodo, ela afirma que \u00e9 preciso viver. \u201cN\u00e3o podemos de forma alguma negar esse luto. A nega\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das fases, \u00e0s vezes, por revolta, negamos, mas n\u00e3o podemos negar\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Manoela destaca que, por mais doloroso que seja, \u00e9 importante fechar o ciclo para darmos continuidade na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO luto por Covid-19 \u00e9 muito doloroso. S\u00f3 quem j\u00e1 passou por este momento \u00e9 que sabe o quanto \u00e9 dif\u00edcil, o quanto \u00e9 doloroso\u2026 \u00e9 uma coisa desumana\u201d, desabafou Manoela.<\/p>\n\n\n\n<p>Falando das fases do luto, Manoela explicou que existem cinco: nega\u00e7\u00e3o, raiva, depress\u00e3o, barganha e aceita\u00e7\u00e3o. \u201cPrecisamos viver todas elas. Todas as fases precisam ser vividas. Precisamos encarar, n\u00e3o podemos usar mecanismos de defesa de dizer: \u2018n\u00e3o, eu n\u00e3o estou passando por isso. Isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo comigo\u2019. Vamos enfrentar. \u00c9 dificil? \u00c9!&nbsp; \u00c9 doloroso? \u00c9! Mas \u00e9 uma dor necess\u00e1ria\u201d, explicou a psicologa.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionada se dever\u00edamos falar mais sobre a morte, a psicologa afirmou que sim. \u201cComo ser humano e como psicologa. Ultimamente lidamos com a morte com uma frequ\u00eancia e uma intensidade que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o t\u00ednhamos vivido. Querendo ou n\u00e3o, estamos lidando com essa palavra diariamente nas nossas vidas, mas acredito, que n\u00f3s, seres humanos, n\u00e3o nos preparamos. A gente n\u00e3o se prepara pra perder. Quem \u00e9 que quer perder? Humanamente falando.<\/p>\n\n\n\n<p>A psicologa chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de pararmos alguns momentos e raciocinar, deixar um poco a emo\u00e7\u00e3o, o apego humano, principalmente em casos onde a pessoa j\u00e1 vinha enfrentando uma doen\u00e7a, um estado vegetativo e se perguntar: \u2018realmente \u00e9 isso que a gente quer para aquela pessoa que amamos?\u2019 \u00c0s vezes a pessoa est\u00e1 l\u00e1 num n\u00edvel de sofrimento\u2026 \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil. Na verdade, cada situa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00fanica, mas assim, psicologicamente falando, pra gente tentar manter um equil\u00edbrio mental, eu acho que precisamos raciocinar. Parar um pouquinho, eu sei que a dor\u2026\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Manoela destaca que o choro \u00e9 importante, mas que n\u00e3o se pode viver chorando, que n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. \u201cChorar, falar sobre o assunto, compartilhar com algu\u00e9m da fam\u00edlia, externar, botar pra fora a raiva e a dor que est\u00e1 sentindo \u00e9 importante, por qu\u00ea? Porque quando a gente coloca pra fora, estamos externando e quando aquilo volta pra gente, j\u00e1 volta diferente, j\u00e1 volta melhor, n\u00e3o que a dor passe, porque \u00e9 uma dor que vai e volta, tem dias que voc\u00ea est\u00e1 bem, tem dias que a lembran\u00e7a bate\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela lembrou que, geralmente a fase mais dif\u00edcil do luto \u00e9 o primeiro ano, pelo fato de que a pessoa vive as datas comemorativas pela primeira vez sem a pessoa querida. O primeiro Natal, o primeiro anivers\u00e1rio, o primeiro Dia das M\u00e3es, dos Pais. \u201cEsse primeiro ano, no qual eu me encontro \u00e9 muito dif\u00edcil\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Manoela lembrou que o luto \u00e9 algo muito singular e varia de pessoa para pessoa. \u201cTem pessoas que vivem esse momento alguns meses, tem pessoas que vivem o luto, anos e \u00e0s vezes uma vida toda. \u00c9 muito relativo, mas assim, a gente precisa viv\u00ea-lo\u201d, disse lembrando que a vida continua e que o luto \u00e9 um fechamento de ciclo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das maiores perversidades relacionadas ao luto durante esta pandemia, \u00e9 o fato de n\u00e3o podermos nos despedir com os ritos culturais que estamos acostumados. Questionada se isso amplifica a dor, a psicologa lembrou que al\u00e9m dos familiares n\u00e3o poderem se despedir de seus mortos atrav\u00e9s dos ritos f\u00fanebres, existem as mudan\u00e7as de comportamento durante os vel\u00f3rios por mortes que n\u00e3o foram por covid tamb\u00e9m. \u201cO abra\u00e7o e o conforto, tamb\u00e9m nos est\u00e3o sendo negados. Nada substituiu o abra\u00e7o, o toque\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as na cultura do sepultamento e as dores causadas pelo afastamento do doente com Covid-19 de seus familiares, Manoela destacou o sentimento de impot\u00eancia vivido por todos. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode ver durante o processo de internamento, que a gente quer ver mesmo de longe, voc\u00ea n\u00e3o pode fazer a despedida\u2026 uma coisa que mexe muito, psicologicamente falando, \u00e9 voc\u00ea n\u00e3o saber como a pessoa foi enterrada. Amarrada em dois sacos, minha gente isso \u00e9 muito doloroso! Voc\u00ea sabe que est\u00e1 ali no caix\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea o caix\u00e3o de longe, ent\u00e3o assim, al\u00e9m de toda a dor da perda, vem aquela chuva de pensamentos, porque n\u00e3o tem como a gente n\u00e3o pensar e a sensa\u00e7\u00e3o de voc\u00ea enquanto fam\u00edlia, n\u00e3o poder fazer nada\u2026\u201d, destacou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Deste sentimento, a psicologa lembrou e relatou o seguinte: \u201clembrei que na hora que o m\u00e9dico foi falar comigo e meu irm\u00e3o, eu disse doutor&nbsp; pelo amor de Deus deixa eu ver pelo menos de longe. \u201cN\u00e3o!\u201d Na hora da minha inoc\u00eancia eu falei com Mada (Madalena Brito, ex-coordenadora da Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade de Afogados), que estava l\u00e1 com a gente. V\u00ea um caix\u00e3o com vidro, para pelo ao menos arrumar com caix\u00e3o com vidro. Na hora do aperreio, que voc\u00ea se desespera e sai realmente da sua consci\u00eancia. A\u00ed eu me lembro do olhar da Mada, de m\u00e1scara e ela fechou os olhos foi como dissesse assim: \u2018Manu, tu n\u00e3o sabes que n\u00e3o pode\u2019, ent\u00e3o assim, \u00e9 muito dif\u00edcil realmente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A psicologa alertou para que pessoas que identificarem que n\u00e3o est\u00e3o conseguindo processar o luto e que n\u00e3o est\u00e3o bem, devem procurar ajuda profissional, fazer terapia e acompanhamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPra poder trabalhar tudo isso, organizar mentalmente e a gente conseguir. N\u00e3o \u00e9 fazer de conta que as coisas n\u00e3o existem, mas assim, colocar cada coisa no seu lugar e a gente conseguir caminhar. Precisamos estar bem com a gente. N\u00f3s somos o eixo da nossa vida, ent\u00e3o, se eu n\u00e3o cuido desse eixo, se eu n\u00e3o estou fazendo algo para me reerguer, para ressignificar e dar um outro sentido, vamos ficando com uma bagagem emocional muito pesada, porque continuamos vivendo e arrastando \u00e0s vezes uma bagagem de 30, 40, 50 anos. Ent\u00e3o, neste ponto, as pessoas que se identificarem, procurem uma ajuda profissional. Para se organizar mentalmente, para ter sa\u00fade mental, e dar continuidade a sua vida\u201d, pontuou Manoela Nascimento.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manoela nascimento tamb\u00e9m vive o seu luto particular com a perda do pai, primeira v\u00edtima da Covid em Afogados. Por<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":83567,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[120],"tags":[9641,1140,9704],"class_list":["post-83565","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-audio","tag-coronavirus","tag-luto","tag-pandemia"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83565","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83565"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83565\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":83568,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83565\/revisions\/83568"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83567"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}