{"id":8463,"date":"2014-01-29T07:59:02","date_gmt":"2014-01-29T10:59:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=8463"},"modified":"2014-01-29T07:59:02","modified_gmt":"2014-01-29T10:59:02","slug":"lei-anticorrupcao-entra-em-vigor-nesta-quarta-a-espera-de-regras","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/lei-anticorrupcao-entra-em-vigor-nesta-quarta-a-espera-de-regras\/","title":{"rendered":"Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o entra em vigor nesta quarta \u00e0 espera de regras"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Legisla\u00e7\u00e3o passa a permitir puni\u00e7\u00e3o de empresas por fraudes.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Regulamenta\u00e7\u00e3o deve estabelecer detalhes para preven\u00e7\u00e3o de atos.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/entenda-lei-anticorrupcao_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8464 alignleft\" alt=\"entenda-lei-anticorrupcao_1\" src=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/entenda-lei-anticorrupcao_1.jpg\" width=\"300\" height=\"644\" \/><\/a>Entra em vigor nesta quarta-feira (29) a chamada Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o (Lei 12.846\/2013), que responsabiliza e passa a permitir a puni\u00e7\u00e3o de empresas envolvidas em atos de corrup\u00e7\u00e3o contra a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica nacional ou estrangeira. A lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em agosto do ano passado.<\/p>\n<p>Ainda precisam ser definidas as regras para que as companhias possam criar uma \u00e1rea interna que previna esse tipo de ato.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, as empresas podiam alegar, caso fossem flagradas em alguma pr\u00e1tica il\u00edcita, que a infra\u00e7\u00e3o havia sido motivada por uma atitude isolada de um funcion\u00e1rio ou servidor p\u00fablico. Acabavam sendo punidos com maior frequ\u00eancia apenas os agentes p\u00fablicos flagrados, e era muito dif\u00edcil comprovar a culpa da companhia ou do empregado.<\/p>\n<p>A partir de agora, por\u00e9m, as empresas envolvidas em fraudes ser\u00e3o alvos de processos civis e administrativos e podem pagar multa de 0,1% a 20% do faturamento anual bruto (quando n\u00e3o for poss\u00edvel calcular essa receita, o valor pode ser estipulado por um juiz e variar entre R$ 6 mil e R$ 60 milh\u00f5es). Em alguns casos, a Justi\u00e7a pode at\u00e9 determinar o fechamento da companhia (veja as penas previstas no quadro ao lado).<\/p>\n<p>De acordo com o advogado Giovanni Falcetta, do escrit\u00f3rio do Aidar SBZ, a principal diferen\u00e7a \u00e9 que a nova lei permite que as empresas sejam punidas sem a necessidade de comprovar culpa ou dolo (por meio da chamada &#8220;responsabilidade objetiva&#8221;).<\/p>\n<p>&#8220;Acredito que a gente vai passar por uma mudan\u00e7a cultural no jeito de fazer neg\u00f3cios no Brasil. Antes, a gente lidava com empresas estrangeiras que estavam sujeitas a normas internacionais que n\u00e3o existiam aqui. (&#8230;) E [tamb\u00e9m lidava com] empresas aqui no Brasil que fazia o que bem queriam&#8221;, explica.<\/p>\n<p><strong>Setor de preven\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nPela nova lei, as companhias ter\u00e3o que se preocupar com a cria\u00e7\u00e3o de um setor de &#8220;\u00e9tica empresarial&#8221; para prevenir internamente atos de corrup\u00e7\u00e3o \u2013 chamado pelo mercado de &#8220;compliance&#8221; (conformidade, em ingl\u00eas).<br \/>\nPara isso, a Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o prev\u00ea a elabora\u00e7\u00e3o, pelo Executivo, de uma regulamenta\u00e7\u00e3o com detalhes de como precisa ser esse programa de &#8220;compliance&#8221; adotado pelas empresas. De acordo com especialistas, ele n\u00e3o deve diferir muito de guias internacionais, como o da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).<\/p>\n<p>&#8220;A regulamenta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 importante porque traz a necessidade de as empresas terem c\u00f3digos de conduta, pol\u00edticas, programas de conformidade efetivos, porque isso ser\u00e1 julgado com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua efetividade&#8221;, diz Rog\u00e9ria Gieremek, gerente da \u00e1rea de compliance da Serasa Experian. &#8220;Todo empres\u00e1rio vai pensar duas vezes. Se todo mundo parar de oferecer e dar propina, n\u00e3o restar\u00e1 outra alternativa sen\u00e3o fazer a fun\u00e7\u00e3o que se tem que fazer&#8221;, avalia.<br \/>\n&#8220;As empresas devem desenvolver a tr\u00edade &#8216;prevenir, detectar e remediar'&#8221;, completa o advogado Falcetta.<\/p>\n<p>Rog\u00e9ria tamb\u00e9m explica que, entre as a\u00e7\u00f5es importantes a serem mantidas pelas companhias, est\u00e3o o treinamento dos funcion\u00e1rios, a exist\u00eancia e a divulga\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo de \u00e9tica, e politicas para recebimentos de presentes, entre outras.<\/p>\n<p><strong>O que ser\u00e1 regulamentado<\/strong><br \/>\nPor enquanto, o texto da lei fala apenas que ser\u00e1 levada em considera\u00e7\u00e3o para a aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es, entre outros itens, &#8220;a exist\u00eancia de mecanismos e procedimentos internos de integridade, auditoria e incentivo \u00e0 den\u00fancia de irregularidades e a aplica\u00e7\u00e3o efetiva de c\u00f3digos de \u00e9tica e de conduta no \u00e2mbito da pessoa jur\u00eddica&#8221;.<\/p>\n<p>A Controladoria Geral da Uni\u00e3o (CGU) disse que elaborou uma proposta de regulamenta\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo finalizada com a colabora\u00e7\u00e3o de outros \u00f3rg\u00e3os do governo, sob coordena\u00e7\u00e3o da Casa Civil. A CGU informou, no entanto, que n\u00e3o h\u00e1 uma data definida para assinatura e publica\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>Entre os pontos que precisam ser regulamentados, segundo a CGU, est\u00e1 como ser\u00e1 o processo administrativo previsto na lei e os crit\u00e9rios para atenuar ou agravar a puni\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas infratoras (onde entra o sistema de &#8220;compliance&#8221;).<\/p>\n<p>&#8220;No fundo, a lei n\u00e3o fala em obriga\u00e7\u00e3o, mas diz que se, por acaso, voc\u00ea for pego ou tiver algum problema, tendo um programa de &#8216;compliance&#8217;, meios e modos de evitar a fraude, voc\u00ea atenua a pena&#8221;, afirma o advogado Falcetta.<\/p>\n<p>A Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o prev\u00ea, ainda, um programa de coopera\u00e7\u00e3o para as companhias que colaborem com uma eventual investiga\u00e7\u00e3o. &#8220;Voc\u00ea adianta o que aconteceu e busca fazer um acordo de leni\u00eancia [suaviza\u00e7\u00e3o], o que reduz muito as penas&#8221;, explica Falcetta. Ao colaborar com as investiga\u00e7\u00f5es, por exemplo, a empresa pode ter a multa reduzida em at\u00e9 dois ter\u00e7os.<\/p>\n<p>O texto prev\u00ea tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de um Cadastro Nacional de Empresas Punidas (Cnep), com a publica\u00e7\u00e3o dos nomes delas e as san\u00e7\u00f5es aplicadas com base na lei.<\/p>\n<p><strong>Entidades empresariais questionam<\/strong><br \/>\nEntidades empresariais ouvidas pelo G1 avaliam a nova legisla\u00e7\u00e3o como positiva para o pa\u00eds. Algumas, por\u00e9m, se preocupam com o fato de a companhia poder ser punida sem a necessidade da comprova\u00e7\u00e3o de culpa.<\/p>\n<p>Em nota t\u00e9cnica, a Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo do Estado de S\u00e3o Paulo (FecomercioSP) avalia a possibilidade de a responsabiliza\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica ser revista pelo Legislativo. &#8220;Caso fique provado que a empresa adotou todos os mecanismos de prote\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e que, mesmo assim, ocorreu um fato alheio ao seu conhecimento (cometido isoladamente por determinado funcion\u00e1rio), ela n\u00e3o dever\u00e1 ser responsabilizada, principalmente se colaborar com as investiga\u00e7\u00f5es&#8221;, diz o texto.<\/p>\n<p>O parecer da FecomercioSP sustenta que, em alguns casos, a companhia pode n\u00e3o conseguir controlar a a\u00e7\u00e3o isolada de um funcion\u00e1rio espec\u00edfico que realizou o ato il\u00edcito. &#8220;Trata-se de um incidente que fugiu dos mecanismos de controle, ficando alheio ao conhecimento dos dirigentes, acionistas e cotistas da empresa (e at\u00e9 mesmo dos demais funcion\u00e1rios)&#8221;, cita a nota. &#8220;Nesses casos, ap\u00f3s processo investigativo, a pessoa f\u00edsica que provocou o ato il\u00edcito deveria ser responsabilizada, eximindo a empresa da responsabilidade.&#8221;<\/p>\n<p>A professora Heloisa Estellita, da Escola de Direito da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), analisa que pode existir algum questionamento no futuro com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 constitucionalidade da lei, justamente porque ela prev\u00ea a culpa da empresa sem que haja comprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o precisa provar que um funcion\u00e1rio de uma empresa corrompeu outro com consci\u00eancia e vontade da c\u00fapula representativa da pessoa jur\u00eddica. Basta que tenha havido o ato e a fraude (&#8230;). A gente est\u00e1 falando em responsabilizar uma pessoa [no caso, a empresa] por algo que ela n\u00e3o sabia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Rog\u00e9ria, da Serasa Experian, acredita que, conforme os casos forem acontecendo, ser\u00e1 criado um hist\u00f3rico de decis\u00f5es judiciais (jurisprud\u00eancia) sobre o tema. &#8220;H\u00e1 pessoas que apontam pontos de melhoria, realmente toda lei pode ser aprimorada, mas teremos o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o Judici\u00e1rio como parceiros&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>De acordo com o gerente de Rela\u00e7\u00f5es Governamentais da Amcham-Brasil (C\u00e2mara Americana de Com\u00e9rcio no Brasil), Felipe Magrim, foram feitas discuss\u00f5es sobre o texto da legisla\u00e7\u00e3o em reuni\u00f5es da entidade. &#8220;\u00c9 positivo. H\u00e1 um certo clima de espera para ver como a lei vai ser de fato aplicada.&#8221;<\/p>\n<p>Para o presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior, empresas maiores do setor varejista j\u00e1 t\u00eam \u00e1reas de &#8220;compliance&#8221;. Ele acredita, contudo, que estabelecimentos menores podem come\u00e7ar a se preocupar mais com a difus\u00e3o desses valores entre seus funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Controles pelas empresas<\/strong><br \/>\nGer\u00f3nimo Timerman, s\u00f3cio-l\u00edder da \u00e1rea de Forensic Services (servi\u00e7os forenses, em ingl\u00eas) da consultoria KPMG no Brasil, acredita que atualmente \u00e9 muito dif\u00edcil uma empresa brasileira ter 100% de todos os tradicionais controles de &#8220;compliance&#8221; implementados. De acordo com ele, o mercado trabalha atualmente com regulamenta\u00e7\u00f5es internacionais. &#8220;Vai depender muito de como vai ser a regulamenta\u00e7\u00e3o do governo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Uma pesquisa feita pela KPMG com cerca de 80 empresas brasileiras aponta que 80% dos membros de conselhos de administra\u00e7\u00e3o, comit\u00eas de auditoria e conselhos fiscais das companhias ainda t\u00eam d\u00favidas sobre a Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, 36% das empresas ainda n\u00e3o come\u00e7aram a reformular suas pol\u00edticas e procedimentos para ficar em conformidade com a nova legisla\u00e7\u00e3o, e 67% afirmaram j\u00e1 ter pelo menos uma linha de den\u00fancia ou canal de ouvidoria. Outros 9% disseram que esses servi\u00e7os est\u00e3o em fase de implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Heloisa Estellita, da FGV, para que a lei seja efetiva, contudo, \u00e9 necess\u00e1ria uma real fiscaliza\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico. &#8220;Isso vai depender muito, como sempre, da fiscaliza\u00e7\u00e3o. O melhor rem\u00e9dio para que as pessoas n\u00e3o pratiquem crime \u00e9 a certeza de que ser\u00e3o punidas.&#8221;<\/p>\n<p><em><strong>Do G1<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Legisla\u00e7\u00e3o passa a permitir puni\u00e7\u00e3o de empresas por fraudes. Regulamenta\u00e7\u00e3o deve estabelecer detalhes para preven\u00e7\u00e3o de atos. 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