{"id":9732,"date":"2014-02-17T08:49:05","date_gmt":"2014-02-17T11:49:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=9732"},"modified":"2014-02-17T08:49:05","modified_gmt":"2014-02-17T11:49:05","slug":"comeca-nesta-segunda-feira-3a-etapa-do-juri-do-massacre-do-carandiru","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/comeca-nesta-segunda-feira-3a-etapa-do-juri-do-massacre-do-carandiru\/","title":{"rendered":"Come\u00e7a nesta segunda-feira 3\u00aa etapa do j\u00fari do Massacre do Carandiru"},"content":{"rendered":"<p><em>Quinze r\u00e9us ser\u00e3o julgados por oito mortes no 3\u00ba andar do Pavilh\u00e3o 9.<\/em><\/p>\n<p><em>Em outubro de 1992, 111 detentos foram mortos em a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Militar.<\/em><\/p>\n<p>Come\u00e7am a ser julgados a partir das 9h desta segunda-feira (17) mais 15 policiais e ex-policiais militares envolvidos no epis\u00f3dio que ficou conhecido como Massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 detentos do pres\u00eddio da Zona Norte de S\u00e3o Paulo, em 2 de outubro de 1992.<\/p>\n<p>Por conta do n\u00famero de r\u00e9us, a Justi\u00e7a desmembrou o caso em quatro partes ou j\u00faris diferentes, correspondentes aos andares invadidos. O crit\u00e9rio \u00e9 julgar o grupo de policiais militares que esteve em cada um dos pavimentos onde presos foram mortos.<\/p>\n<p>O julgamento que ter\u00e1 in\u00edcio nesta segunda-feira no F\u00f3rum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de S\u00e3o Paulo, corresponde ao terceiro bloco de r\u00e9us, que seriam os policiais que, naquela ocasi\u00e3o, atuaram no 3\u00ba andar do Pavilh\u00e3o 9 do pres\u00eddio, o que equivale ao 4\u00ba pavimento. Segundo o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJ-SP), eles ser\u00e3o julgados pela morte de oito presos, al\u00e9m de duas tentativas de homic\u00eddio.<\/p>\n<p>O j\u00fari ser\u00e1 presidido pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, com os promotores M\u00e1rcio Friggi e Eduardo Olavo sendo respons\u00e1veis pela apresenta\u00e7\u00e3o das acusa\u00e7\u00f5es contra os r\u00e9us. A defesa caber\u00e1 ao advogado Celso Machado Vendramini. Ao todo, ser\u00e3o ouvidas 11 testemunhas, sendo seis de acusa\u00e7\u00e3o e cinco de defesa. A previs\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o do julgamento \u00e9 de uma semana, segundo a assessoria de imprensa do TJ. Um quarto j\u00fari est\u00e1 previsto para ocorrer mar\u00e7o deste ano.<\/p>\n<p><strong>Primeiro j\u00fari<\/strong><br \/>\nOutros dois julgamentos relacionados ao Massacre do Carandiru j\u00e1 foram realizados, com condena\u00e7\u00e3o de parte dos r\u00e9us. No primeiro, em 21 abril do ano passado, 23 policiais militares foram condenados pela morte de 13 presos. A pena foi de 156 anos de pris\u00e3o para cada um, mas eles recorrem em liberdade. Tr\u00eas dos 26 r\u00e9us que eram julgados foram absolvidos. A senten\u00e7a foi lida pelo juiz Jos\u00e9 Augusto Nardy Marzag\u00e3o, que presidia o j\u00fari.<\/p>\n<p>As absolvi\u00e7\u00f5es foram pedidas pelo promotor Fernando Pereira da Silva, que tamb\u00e9m solicitou aos jurados que desconsiderassem duas das 15 v\u00edtimas inicialmente previstas no processo. Segundo ele, esses detentos foram mortos por golpes de arma branca, o que pode significar que foram assassinados pelos pr\u00f3prios presos. Por isso, os 23 PMs foram condenados por 13 mortes.<\/p>\n<p><strong>Segundo j\u00fari<\/strong><br \/>\nNo dia 3 de agosto do ano passado, outros 25 policiais e ex-policiais militares foram considerados culpados de homic\u00eddio qualificado e responsabilizados por 52 mortes, sendo sentenciados a 624 anos de reclus\u00e3o em regime inicialmente fechado. A senten\u00e7a foi lida pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo.<\/p>\n<p>&#8220;Houve inequ\u00edvoco abuso de poder&#8221;, disse o juiz em sua senten\u00e7a. Os r\u00e9us, por\u00e9m, puderam recorrer da senten\u00e7a em liberdade. Os policiais tamb\u00e9m perderam o cargo p\u00fablico ainda em exerc\u00edcio, mas essa decis\u00e3o s\u00f3 vai valer depois de julgados todos os recursos.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca do massacre na Casa de Deten\u00e7\u00e3o, na Zona Norte da capital, os r\u00e9us integravam as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Pol\u00edcia Militar. L\u00e1 dentro, eles teriam efetuado mais de 300 disparos no segundo andar, terceiro pavimento, do Pavilh\u00e3o 9.<\/p>\n<p>O j\u00fari havia sido determinado com 29 r\u00e9us. Dois deles, no entanto, morreram, um passou por avalia\u00e7\u00e3o de sanidade mental e outro respondeu a processo separadamente. Os policiais respondiam inicialmente por 73 mortes. Durante o julgamento, por\u00e9m, o promotor Fernando Pereira pediu que os r\u00e9us respondessem por 52 mortes.<\/p>\n<p><strong>Massacre<\/strong><br \/>\nOs julgamentos do massacre no Carandiru ocorrem mais de 20 anos ap\u00f3s a invas\u00e3o na Casa de Deten\u00e7\u00e3o, na Zona Norte de S\u00e3o Paulo. A a\u00e7\u00e3o terminou com a morte de 111 presos ap\u00f3s a Pol\u00edcia Militar entrar no Pavilh\u00e3o 9 para controlar uma rebeli\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes destes j\u00faris, desde 2 de outubro de 1992, somente um acusado havia sido julgado: o coronel Ubiratan Guimar\u00e3es. Ele foi condenado em 2001 a 632 anos de pris\u00e3o, em j\u00fari popular, por ter dirigido a opera\u00e7\u00e3o. Em 2006, o j\u00fari foi anulado pelos desembargadores do TJ. Meses depois da absolvi\u00e7\u00e3o, Ubiratan foi morto a tiros no apartamento onde morava, nos Jardins. O processo do Carandiru tem ao todo 57 volumes, 111 apensos e 50 mil p\u00e1ginas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinze r\u00e9us ser\u00e3o julgados por oito mortes no 3\u00ba andar do Pavilh\u00e3o 9. 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