{"id":9889,"date":"2014-02-19T06:00:05","date_gmt":"2014-02-19T09:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=9889"},"modified":"2014-02-18T20:44:22","modified_gmt":"2014-02-18T23:44:22","slug":"juri-do-carandiru-e-cancelado-apos-advogado-abandonar-plenario","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/juri-do-carandiru-e-cancelado-apos-advogado-abandonar-plenario\/","title":{"rendered":"J\u00fari do Carandiru \u00e9 cancelado ap\u00f3s advogado abandonar plen\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p><em>Esse seria segundo dia de julgamento de 15 policiais militares.<\/em><\/p>\n<p><em>Massacre em pres\u00eddio, ocorrido em 1992, deixou 111 mortos.<\/em><\/p>\n<p>O julgamento de 15 policiais militares e ex-PMs envolvidos no massacre do Carandiru foi cancelado na tarde desta quarta-feira (18) ap\u00f3s o advogado de defesa dos r\u00e9us, Celso Vendramini, abandonar o plen\u00e1rio do F\u00f3rum da Barra Funda. Segundo o Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, uma nova data ser\u00e1 marcada para o julgamento.<\/p>\n<p>Esse seria o segundo dia desta terceira fase do julgamento. Outros 48 PMs j\u00e1 foram condenados. Vendramini justificou o abandono do j\u00fari e reclamou do comportamento do juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo.<\/p>\n<p>Segundo o defensor, Camargo o chamou de mal-educado no meio do julgamento. &#8220;Eu j\u00e1 percebi que estavam havendo muitos erros por parte do magistrado&#8221;, disse Vendramini. Ele afirma que entrar\u00e1 com uma representa\u00e7\u00e3o pedindo a mudan\u00e7a do juiz.<\/p>\n<p>Vendramini disse ainda que o magistrado &#8220;estava sendo parcial&#8221;, deixando os promotores lerem depoimentos anteriores em vez de fazer perguntas. Ele garantiu que o abandono do j\u00fari n\u00e3o foi uma estrat\u00e9gia. &#8220;N\u00e3o tem estrat\u00e9gia&#8221;, afirmou. O advogado quer a marca\u00e7\u00e3o de um novo julgamento.<\/p>\n<p>Vendramini afirmou tamb\u00e9m que, al\u00e9m de parcial, o juiz teve postura incorreta em v\u00e1rios momentos, como o fato de fazer uma reuni\u00e3o fechada com dura\u00e7\u00e3o de 40 minutos com os jurados.<\/p>\n<p>Os promotores disseram que n\u00e3o tiveram nenhum contato com os jurados, assim como os defensores. Eles afirmaram que v\u00e3o entrar com uma representa\u00e7\u00e3o na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra a atitude do advogado. O promotor Eduardo Olavo Canto Neto falou sobre o cancelamento do j\u00fari. \u201cLamentamos profundamente. Foi uma afronta, um desrespeito \u00e0 lei\u201d, disse.<\/p>\n<p>O promotor afirmou tamb\u00e9m que a posi\u00e7\u00e3o adotada por Vendramini foi uma \u201cestrat\u00e9gia infeliz\u201d. \u201cProvavelmente, o advogado teve a sensa\u00e7\u00e3o de que o caminho seria o mesmo\u201d, disse ele, em refer\u00eancia \u00e0 condena\u00e7\u00e3o dos outros 48 policiais j\u00e1 julgados.<\/p>\n<p>O promotor M\u00e1rcio Friggi disse que qualquer especula\u00e7\u00e3o sobre irregularidade deveria vir acompanhada de prova. Ele elogiou a postura do magistrado. &#8220;\u00c9 um dos ju\u00edzes com quem trabalhei que teve a postura mais isenta poss\u00edvel&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Os promotores cobraram uma mudan\u00e7a na lei para que advogados que adotem posturas como a de Vendramini sejam punidos de forma &#8220;mais efetiva&#8221;.<br \/>\nAt\u00e9 as 16h40, o juiz n\u00e3o havia se pronunciado sobre as alega\u00e7\u00f5es do advogado.<\/p>\n<p>\u00c0s 17h, o Tribunal de Justi\u00e7a ainda n\u00e3o sabia a data do novo julgamento. Est\u00e1 marcado para 17 de mar\u00e7o o julgamento do grupo de 15 policiais acusados de matar detentos no quinto pavimento do Pavilh\u00e3o 9 do Carandiru.<\/p>\n<p>Depoimentos<br \/>\nAntes da suspens\u00e3o do j\u00fari, era interrogado o coronel reformado Arivaldo S\u00e9rgio Salgado. Segundo ele, as armas utilizadas pelos policiais que entraram no Pavilh\u00e3o 9 foram recolhidas por ele assim que chegaram ao batalh\u00e3o e entregues ao armeiro. Posteriormente, as armas foram entregues para a Corregedoria da PM.<\/p>\n<p>Mais cedo, o carcereiro Francisco Carlos Leme afirmou que 75 presos j\u00e1 estavam mortos antes da entrada da Pol\u00edcia Militar no Pavilh\u00e3o 9 do pres\u00eddio do Carandiru, na Zona Norte de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cAproximadamente 75. Pode ser mais, pode ser menos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Outros dois julgamentos relacionados ao Massacre do Carandiru j\u00e1 foram realizados, com condena\u00e7\u00e3o de parte dos r\u00e9us. No primeiro, em 21 abril do ano passado, 23 policiais militares foram condenados pela morte de 13 presos. A pena foi de 156 anos de pris\u00e3o para cada um, mas eles recorrem em liberdade. Tr\u00eas dos 26 r\u00e9us que eram julgados foram absolvidos. A senten\u00e7a foi lida pelo juiz Jos\u00e9 Augusto Nardy Marzag\u00e3o, que presidia o j\u00fari.<\/p>\n<p>As absolvi\u00e7\u00f5es foram pedidas pelo promotor Fernando Pereira da Silva, que tamb\u00e9m solicitou aos jurados que desconsiderassem duas das 15 v\u00edtimas inicialmente previstas no processo.<\/p>\n<p>Segundo ele, esses detentos foram mortos por golpes de arma branca, o que pode significar que foram assassinados pelos pr\u00f3prios presos. Por isso, os 23 PMs foram condenados por 13 mortes.<\/p>\n<p>Segundo j\u00fari<br \/>\nNo dia 3 de agosto do ano passado, outros 25 policiais e ex-policiais militares foram considerados culpados de homic\u00eddio qualificado e responsabilizados por 52 mortes, sendo sentenciados a 624 anos de reclus\u00e3o em regime inicialmente fechado. A senten\u00e7a foi lida pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo.<\/p>\n<p>&#8220;Houve inequ\u00edvoco abuso de poder&#8221;, disse o juiz em sua senten\u00e7a. Os r\u00e9us, por\u00e9m, puderam recorrer da senten\u00e7a em liberdade. Os policiais tamb\u00e9m perderam o cargo p\u00fablico ainda em exerc\u00edcio, mas essa decis\u00e3o s\u00f3 vai valer depois de julgados todos os recursos.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca do massacre na Casa de Deten\u00e7\u00e3o, na Zona Norte da capital, os r\u00e9us integravam as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Pol\u00edcia Militar. L\u00e1 dentro, eles teriam efetuado mais de 300 disparos no segundo andar, terceiro pavimento, do Pavilh\u00e3o 9.<\/p>\n<p>O j\u00fari havia sido determinado com 29 r\u00e9us. Dois deles, no entanto, morreram, um passou por avalia\u00e7\u00e3o de sanidade mental e outro respondeu a processo separadamente. Os policiais respondiam inicialmente por 73 mortes. Durante o julgamento, por\u00e9m, o promotor Fernando Pereira pediu que os r\u00e9us respondessem por 52 mortes.<\/p>\n<p>Massacre<br \/>\nOs julgamentos do massacre no Carandiru ocorrem mais de 20 anos ap\u00f3s a invas\u00e3o na Casa de Deten\u00e7\u00e3o, na Zona Norte de S\u00e3o Paulo. A a\u00e7\u00e3o terminou com a morte de 111 presos ap\u00f3s a Pol\u00edcia Militar entrar no Pavilh\u00e3o 9 para controlar uma rebeli\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes destes j\u00faris, desde 2 de outubro de 1992, somente um acusado havia sido julgado: o coronel Ubiratan Guimar\u00e3es. Ele foi condenado em 2001 a 632 anos de pris\u00e3o, em j\u00fari popular, por ter dirigido a opera\u00e7\u00e3o. Em 2006, o j\u00fari foi anulado pelos desembargadores do TJ.<\/p>\n<p>Meses depois da absolvi\u00e7\u00e3o, Ubiratan foi morto a tiros no apartamento onde morava, nos Jardins. O processo do Carandiru tem ao todo 57 volumes, 111 apensos e 50 mil p\u00e1ginas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse seria segundo dia de julgamento de 15 policiais militares. Massacre em pres\u00eddio, ocorrido em 1992, deixou 111 mortos. 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