{"id":11857,"date":"2014-03-07T23:04:21","date_gmt":"2014-03-08T02:04:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=11857"},"modified":"2014-03-07T23:04:21","modified_gmt":"2014-03-08T02:04:21","slug":"debate-das-dez-o-trabalho-dos-alcoolicos-anonimos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/debate-das-dez-o-trabalho-dos-alcoolicos-anonimos\/","title":{"rendered":"Debate das Dez: o trabalho dos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos"},"content":{"rendered":"<p>Hoje nos est\u00fadios da Paje\u00fa, um grupo de pessoas que fazem parte dos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos, Caminho da Vida, falaram sobre o que \u00e9 alcoolismo, porque alcoolismo \u00e9 considerado doen\u00e7a, quais s\u00e3o os indicativos do problema e o drama familiar.<\/p>\n<p>Foi um debate esclarecedor. Os participantes fizeram relatos de suas vidas antes e p\u00f3s o \u00e1lcool, falaram de como chegaram ao fundo do po\u00e7o e conseguiram se reerguer com a ajuda do A. A, como \u00e9 a luta di\u00e1ria para se manterem s\u00f3brios e da import\u00e2ncia de perceber e aceitar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Vale a pena ouvir.<\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a o Debate na \u00edntegra logo abaixo:<\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-11857-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Debate-das-Dez-07-03-14.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Debate-das-Dez-07-03-14.mp3\">http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Debate-das-Dez-07-03-14.mp3<\/a><\/audio>\n<p><strong>Saiba mais:<\/strong><\/p>\n<p>Do ponto de vista m\u00e9dico, o alcoolismo \u00e9\u00a0uma doen\u00e7a cr\u00f4nica, com aspectos comportamentais e socioecon\u00f4micos, caracterizada pelo consumo compulsivo de \u00e1lcool, na qual o usu\u00e1rio se torna progressivamente tolerante \u00e0 intoxica\u00e7\u00e3o produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstin\u00eancia, quando a mesma \u00e9 retirada.<\/p>\n<p><strong>Fatores gen\u00e9ticos<\/strong><\/p>\n<p>Sem desprezar a import\u00e2ncia do ambiente no alcoolismo, h\u00e1 evid\u00eancias claras de que alguns\u00a0fatores gen\u00e9ticos\u00a0aumentam o risco de contrair a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O alcoolismo tende a ocorrer com mais frequ\u00eancia em certas fam\u00edlias, entre g\u00eameos id\u00eanticos (univitelinos), e mesmo em filhos biol\u00f3gicos de pais alco\u00f3licos adotados por fam\u00edlias de pessoas que n\u00e3o bebem.<\/p>\n<p>Estudos mostram que adolescentes abst\u00eamios, filhos de pais alco\u00f3licos, t\u00eam mais resist\u00eancia aos efeitos do \u00e1lcool do que jovens da mesma idade, cujos pais n\u00e3o abusam da droga.<\/p>\n<p>Muitos desses filhos de alco\u00f3licos se recusam a beber para n\u00e3o seguir o exemplo de casa. Quando acompanhados por v\u00e1rios anos, por\u00e9m, esses adolescentes apresentam maior probabilidade de abandonar a abstin\u00eancia e tornarem-se dependentes.<\/p>\n<p>Filhos biol\u00f3gicos de pais alco\u00f3licos criados por fam\u00edlias adotivas t\u00eam mais dificuldade de abandonar a bebida do que alco\u00f3licos que n\u00e3o t\u00eam hist\u00f3ria familiar de abuso da droga.<\/p>\n<p><strong>Intoxica\u00e7\u00e3o Aguda<\/strong><\/p>\n<p>O \u00e1lcool cruza, com liberdade, a barreira protetora que separa o sangue do tecido cerebral. Poucos minutos depois de um drinque, sua concentra\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro j\u00e1 est\u00e1 praticamente igual \u00e0 da circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em pessoas que n\u00e3o costumam beber, n\u00edveis sangu\u00edneos de 50mg\/dl a 150 mg\/dl s\u00e3o suficientes para provocar sintomas. Esses, por sua vez, dependem diretamente da velocidade com a qual a droga \u00e9 consumida, e s\u00e3o mais comuns quando a concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool est\u00e1 aumentando no sangue do que quando est\u00e1 caindo.<\/p>\n<p>Os sintomas da intoxica\u00e7\u00e3o aguda s\u00e3o variados: euforia, perda das inibi\u00e7\u00f5es sociais, comportamento expansivo (muitas vezes inadequado ao ambiente) e emotividade exagerada. H\u00e1 quem desenvolva comportamento beligerante ou explosivamente agressivo.<\/p>\n<p>Algumas pessoas n\u00e3o apresentam euforia, ao contr\u00e1rio, tornam-se sonolentas e entorpecidas, mesmo que tenham bebido moderadamente. Segundo as\u00a0estat\u00edsticas, essas quase nunca desenvolvem alcoolismo cr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Com o aumento da concentra\u00e7\u00e3o da droga na corrente sangu\u00ednea, a fun\u00e7\u00e3o do cerebelo come\u00e7a a mostrar sinais de deteriora\u00e7\u00e3o, provocando desequil\u00edbrio, altera\u00e7\u00e3o da capacidade cognitiva, dificuldade crescente para a articula\u00e7\u00e3o da palavra, falta de coordena\u00e7\u00e3o motora, movimentos vagarosos ou irregulares dos olhos, vis\u00e3o dupla, rubor facial e taquicardia. O pensamento fica desconexo e a percep\u00e7\u00e3o da realidade se desorganiza.<\/p>\n<p>Quando a ingest\u00e3o de \u00e1lcool n\u00e3o \u00e9 interrompida surgem: letargia, diminui\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia das batidas do cora\u00e7\u00e3o, queda da press\u00e3o arterial, depress\u00e3o respirat\u00f3ria e v\u00f4mitos, que podem ser eventualmente aspirados e chegar aos pulm\u00f5es provocando pneumonia entre outros efeitos colaterais perigosos.<\/p>\n<p>Em n\u00e3o-alco\u00f3licos, quando a concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool no sangue chega \u00e0 faixa de 300mg\/dl a 400 mg\/dL ocorre estupor e coma. Acima de 500 mg\/dL, depress\u00e3o respirat\u00f3ria, hipotens\u00e3o e morte.<\/p>\n<p><strong>Metabolismo do \u00e1lcool<\/strong><\/p>\n<p>O metabolismo no f\u00edgado remove de 90% a 98% da droga circulante. O resto \u00e9 eliminado pelos rins, pulm\u00f5es e pele.<\/p>\n<p>Um\u00a0adulto de 70kg consegue metabolizar de 5 a 10 gramas de \u00e1lcool por\u00a0hora. Como um drinque cont\u00e9m, em m\u00e9dia, de 12 a 15 gramas, a droga\u00a0acumula-se progressivamente no organismo, mesmo em quem bebe apenas um\u00a0drinque por hora.<\/p>\n<p>O \u00e1lcool que cai na circula\u00e7\u00e3o sofre um\u00a0processo qu\u00edmico chamado oxida\u00e7\u00e3o que o decomp\u00f5e em g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2)\u00a0e \u00e1gua. Como nesse processo ocorre libera\u00e7\u00e3o de energia, os m\u00e9dicos\u00a0recomendam evitar bebidas alco\u00f3licas aos que desejam emagrecer, uma vez que cada grama de \u00e1lcool ingerido produz 7,1 kcal, valor expressivo<br \/>\ndiante das 8kcal por grama de gordura e das 4kcal por grama de a\u00e7\u00facar\u00a0ou prote\u00edna.<\/p>\n<p>Usu\u00e1rios cr\u00f4nicos de \u00e1lcool costumam nele obter\u00a050% das calorias necess\u00e1rias para o metabolismo. Por isso,\u00a0frequentemente desenvolvem defici\u00eancias nutricionais de prote\u00edna e\u00a0vitaminas do complexo B.<\/p>\n<p><strong>Toler\u00e2ncia e alcoolismo cr\u00f4nico<\/strong><\/p>\n<p>A resist\u00eancia aos efeitos colaterais do \u00e1lcool est\u00e1 diretamente associada ao desenvolvimento da toler\u00e2ncia e ao alcoolismo.<\/p>\n<p>Horas depois da ingest\u00e3o exagerada de \u00e1lcool, embora a concentra\u00e7\u00e3o da droga circulante ainda esteja muito alta, a bebedeira pode passar. Esse fen\u00f4meno \u00e9 conhecido como toler\u00e2ncia aguda.<\/p>\n<p>O tipo agudo \u00e9 diferente da toler\u00e2ncia cr\u00f4nica do bebedor contumaz, que lhe permite manter apar\u00eancia de sobriedade mesmo depois de ingerir quantidades elevadas da droga. Doses de \u00e1lcool entre 400mg\/dl e 500 mg\/dl, que muitas vezes levam o bebedor ocasional ao coma ou \u00e0 morte, podem ser suportadas com sintomas m\u00ednimos pelos usu\u00e1rios cr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Diversos estudos demonstraram que as pessoas capazes de resistir ao efeito embriagante do \u00e1lcool, estatisticamente, apresentam maior tend\u00eancia a tornarem-se dependentes.<\/p>\n<p><strong>S\u00edndrome do blackout e da abstin\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Pode ocorrer em bebedores espor\u00e1dicos ou cr\u00f4nicos e caracteriza-se por amn\u00e9sia que pode durar horas, sem perda de consci\u00eancia da realidade durante a crise. O blackout (ou apagamento) acontece porque o \u00e1lcool interfere nos circuitos cerebrais encarregados de arquivar acontecimentos recentes. O quadro, de certa forma, lembra o perfil de mem\u00f3ria das pessoas idosas, capazes de contar com detalhes hist\u00f3rias antigas, mas que n\u00e3o conseguem recordar o card\u00e1pio do almo\u00e7o.<\/p>\n<p>O \u00e1lcool \u00e9 uma droga depressora do Sistema Nervoso Central. Para contrabalan\u00e7ar esse efeito, o usu\u00e1rio cr\u00f4nico aumenta a atividade de certos circuitos de neur\u00f4nios que se op\u00f5em \u00e0 a\u00e7\u00e3o depressiva. Quando a droga \u00e9 suspensa abruptamente, depois de longo per\u00edodo de uso, esses circuitos estimulat\u00f3rios n\u00e3o encontram mais a a\u00e7\u00e3o depressora para equilibr\u00e1-los e surge, ent\u00e3o, a s\u00edndrome de hiperexcitabilidade caracter\u00edstica da abstin\u00eancia.<\/p>\n<p>Seus sintomas mais frequentes s\u00e3o: tremores, dist\u00farbios de percep\u00e7\u00e3o, convuls\u00f5es e delirium tremens.<\/p>\n<p><strong>Reconhecimento da depend\u00eancia e reabilita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas mais importantes do alcoolismo \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia por parte do usu\u00e1rio. Raros s\u00e3o aqueles que reconhecem o uso abusivo de bebidas, passo considerado essencial para livrarem-se da depend\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>As recomenda\u00e7\u00f5es atuais para tratamento do alcoolismo envolvem duas etapas:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0<strong>Desintoxica\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2013 Geralmente realizada por alguns dias sob supervis\u00e3o m\u00e9dica, permite combater os efeitos agudos da retirada do \u00e1lcool. Dados os alt\u00edssimos \u00edndices de reca\u00eddas, no entanto, o alcoolismo n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a a ser tratada exclusivamente no \u00e2mbito da medicina convencional.<\/p>\n<p><strong>b)<\/strong>\u00a0<strong>Reabilita\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2013 Alco\u00f3licos an\u00f4nimos \u2013 Depois de controlados os sintomas agudos da crise de abstin\u00eancia, os pacientes devem ser encaminhados para programas de reabilita\u00e7\u00e3o, cujo objetivo \u00e9 ajud\u00e1-los a viver sem \u00e1lcool na circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>Para que o tratamento tenha sucesso \u00e9 fundamental a participa\u00e7\u00e3o dos familiares e amigos pr\u00f3ximos, como declararam nas entrevistas gravadas para o Canal Universit\u00e1rio, o jornalista Ricardo Vespucci e o m\u00e9dico Emanuel Vespucci, autores dos livros \u201cO rev\u00f3lver que sempre dispara\u201d e \u201cO livro das respostas: Alcoolismo\u201d cuja leitura recomendamos a todos os interessados no tema. Dessas entrevistas participaram tamb\u00e9m um representante dos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos e duas mulheres da Al-Anon, associa\u00e7\u00e3o dedicada a dar apoio e orienta\u00e7\u00e3o aos familiares dos dependentes do \u00e1lcool. Esses depoimentos foram fundamentais para entender a doen\u00e7a do alcoolismo e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p><em><strong>Fonte: Dr\u00e1uzio Varela<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje nos est\u00fadios da Paje\u00fa, um grupo de pessoas que fazem parte dos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos, Caminho da Vida, falaram sobre<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1185,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1882,127,47,4751],"class_list":["post-11857","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-alcoolismo","tag-debate-das-dez","tag-destaques","tag-radio-pajeu"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11857\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}