{"id":13317,"date":"2014-04-01T07:08:17","date_gmt":"2014-04-01T10:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=13317"},"modified":"2014-04-01T07:08:17","modified_gmt":"2014-04-01T10:08:17","slug":"comissao-da-verdade-identifica-371-casos-de-tortura-entre-1964-e-1966","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/comissao-da-verdade-identifica-371-casos-de-tortura-entre-1964-e-1966\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade identifica 371 casos de tortura entre 1964 e 1966"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Segundo integrante do grupo, desde in\u00edcio regime instalou &#8216;clima de terror&#8217;.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>V\u00edtimas eram trabalhadores e sindicalistas indicados por empresas.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Uma pesquisa encomendada pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) identificou, s\u00f3 no Rio de Janeiro, ao menos 371 casos de tortura entre 1964 e 1966, per\u00edodo que antecede, segundo estudiosos, a resist\u00eancia \u00e0 ditadura pela luta armada. Segundo o levantamento, feito com base em pedidos de repara\u00e7\u00e3o \u00e0 Secretaria de Direitos Humanos do RJ, os torturados, \u00e0 \u00e9poca, eram trabalhadores e pessoas ligadas ao movimento sindical, n\u00e3o guerrilheiros.<\/p>\n<p>O dado, obtido a partir de trabalho coordenado pelo professor Marcelo Jasmin (PUC-Rio), refor\u00e7a a tese defendida pela Comiss\u00e3o de que viola\u00e7\u00f5es graves aos direitos humanos come\u00e7aram no in\u00edcio do regime militar. At\u00e9 ent\u00e3o, parte da historiografia sobre o per\u00edodo registrava que os casos de tortura se intensificaram ap\u00f3s 1968, principalmente em rea\u00e7\u00e3o a a\u00e7\u00f5es de grupos da guerrilha urbana.<\/p>\n<p>ESPECIAL &#8220;50 ANOS DO GOLPE MILITAR&#8221;: a ren\u00fancia do presidente J\u00e2nio Quadros, em 1961, desencadeou uma s\u00e9rie de fatos que culminaram em um golpe de estado em 31 de mar\u00e7o de 1964. O sucessor, Jo\u00e3o Goulart, foi deposto pelos militares com apoio de setores da sociedade, que temiam que ele desse um golpe de esquerda, coisa que seus partid\u00e1rios negam at\u00e9 hoje. O ambiente pol\u00edtico se radicalizou, porque Jango prometia fazer as chamadas reformas de base na &#8220;lei ou na marra&#8221;, com ajuda de sindicatos e de membros das For\u00e7as Armadas. Os militares prometiam entregar logo o poder aos civis, mas o pa\u00eds viveu uma ditadura que durou 21 anos, terminando em 1985.<\/p>\n<p>Coordenadora do grupo de trabalho da CNV que pesquisa o contexto e as motiva\u00e7\u00f5es do golpe militar de 1964, a advogada Rosa Cardoso sustenta, com base nos dados, que o golpe foi preparado desde o in\u00edcio para criar um &#8220;clima de terror&#8221; e tentar minar pela raiz qualquer tipo de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo isso indica que a ditadura j\u00e1 tinha, j\u00e1 estava orientada no sentido de implantar um estado de terror, que mobilizasse, que assustasse a popula\u00e7\u00e3o para que a popula\u00e7\u00e3o intimidada n\u00e3o resistisse e n\u00e3o contestasse&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o chegou ao n\u00famero por meio de uma pesquisa encomendadoa \u00e0 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro. Foram analisados 1.005 pedidos de repara\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas. Os pesquisadores conclu\u00edram 43,68% das graves viola\u00e7\u00f5es relatadas nos processos concentram-se nos anos iniciais da ditadura, antes da contraofensiva de insurgentes.<\/p>\n<p>Segundo Rosa Cardoso, os militares envolvidos no golpe foram preparados anteriormente, inclusive com treinamentos na Escola Superior de Guerra, para a pr\u00e1tica de tortura. &#8220;Cursos foram dados a muitos oficiais brasileiros, e eles estavam j\u00e1 preparados ent\u00e3o para implantar um sistema ditatorial desde o in\u00edcio e com muita viol\u00eancia. E fazia parte dessa l\u00f3gica de que era preciso criar desde logo um clima de muito terror para que n\u00e3o houvesse resist\u00eancia&#8221;, explicou.<\/p>\n<p><strong>Sindicalistas<\/strong><br \/>\nAs primeiras pris\u00f5es do regime se concentravam em capturar sindicalistas e trabalhadores, indicados pelas empresas onde eles trabalhavam. Isso se atribui, diz Rosa Cardoso, ao fato de que grandes empresas colaboraram com o golpe militar antes e depois dele deflagrado.<\/p>\n<p>&#8220;Muito claramente o golpe n\u00e3o foi um golpe s\u00f3 militar. Por isso que a historiografia hoje reconhece e insiste em dizer que ele foi civil-militar. Antes de 64, inclusive, a participa\u00e7\u00e3o dos civis foi muito mais vis\u00edvel e intensa. E essa participa\u00e7\u00e3o civil foi, sobretudo, uma participa\u00e7\u00e3o empresarial&#8221;, destacou.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, os nomes de pessoas a serem presas eram entregues pelas empresas, em listas t\u00e3o numerosas que os presos n\u00e3o cabiam em delegacias. Por isso, o regime chegou a usar est\u00e1dios. Foram encontrados registros do uso do est\u00e1dio Caio Martins, em Niter\u00f3i, e do Clube Ypiranga FC, em Maca\u00e9.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica, explicou Rosa, era comum em pa\u00edses como Arg\u00e9lia e Vietn\u00e3, onde houve luta contra insurgentes comandadas por agentes p\u00fablicos. O Brasil, sendo a primeira ditadura militar na Am\u00e9rica do Sul, utilizou est\u00e1dios para pris\u00f5es em massa e acabou &#8220;dando o exemplo&#8221; para outros como Chile e Argentina, onde a pr\u00e1tica era mais comum, detalhou a integrante da CNV.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo integrante do grupo, desde in\u00edcio regime instalou &#8216;clima de terror&#8217;. V\u00edtimas eram trabalhadores e sindicalistas indicados por empresas. 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