{"id":28263,"date":"2015-03-02T08:22:43","date_gmt":"2015-03-02T11:22:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=28263"},"modified":"2015-03-02T08:22:43","modified_gmt":"2015-03-02T11:22:43","slug":"homem-se-passa-por-medico-para-tirar-dinheiro-de-pessoas-internadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/homem-se-passa-por-medico-para-tirar-dinheiro-de-pessoas-internadas\/","title":{"rendered":"Homem se passa por m\u00e9dico para tirar dinheiro de pessoas internadas"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Estelionat\u00e1rio chegou a arrecadar R$ 200 mil por m\u00eas com golpes em<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em> fam\u00edlias de pessoas doentes. Mesmo preso desde 2012, ele continua agindo.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Do Fant\u00e1stico<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Um golpista frio, que se aproveitava de pessoas que estavam fragilizadas pela doen\u00e7a de algum parente para tirar dinheiro delas. E mais: ele n\u00e3o se importava de debochar de suas v\u00edtimas.<\/p>\n<p>\u201cBasicamente o Valfrido \u00e9 um artista. \u00c9 aquele criminoso sedutor\u201d, conta o delegado Wellington de Oliveira.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o inumer\u00e1veis golpes, s\u00e3o incont\u00e1veis\u201d, afirma Valfrido.<\/p>\n<p>Valfrido Gonzales Filho, 36 anos, n\u00e3o \u00e9 um estelionat\u00e1rio comum.<\/p>\n<p>\u201cMuito coerente a hist\u00f3ria, muito bem contada, uma pessoa muito boa de l\u00e1bia\u201d, diz uma v\u00edtima.<\/p>\n<p>Articulado e simp\u00e1tico, escolhe suas v\u00edtimas entre doentes e parentes de doentes que est\u00e3o internados em hospitais.<\/p>\n<p>\u201cNesta modalidade, golpe da desgra\u00e7a se passando por m\u00e9dicos, o Valfrido \u00e9 um dos mais avan\u00e7ados\u201d, diz o delegado Wellington de Oliveira.<\/p>\n<p>O golpe da desgra\u00e7a, citado pelo delegado, \u00e9 a especialidade de Valfrido. Ele finge ser m\u00e9dico e tenta arrancar dinheiro das v\u00edtimas. Mesmo preso desde 2012, em\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/mato-grosso-do-sul.html\"><strong>Mato Grosso do Sul<\/strong><\/a>,\u00a0continua agindo. S\u00e3o mais de 40 golpes aplicados de dentro da pris\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEle arrecada pelo menos, R$ 200 mil por m\u00eas com estes golpes\u201d, diz o delegado.<\/p>\n<p>A filha de Rosemari da Silveira, de nove anos de idade, estava internada para uma cirurgia em Joa\u00e7aba, Santa Catarina. O telefone tocou no quarto do hospital:<\/p>\n<p>\u201cEu preciso que a senhora me deposite um dinheiro pra um rem\u00e9dio, um medicamento que a gente est\u00e1 em falta no hospital. Eu preciso te dar alta, mas eu dependo desse medicamento\u201d, conta a dona de casa Rosemari da Silveira.<\/p>\n<p>Ela depositou R$ 1,2 mil para o falso m\u00e9dico. Tirou o dinheiro da poupan\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 ali, a tua filha quer sair do hospital, quer ganhar alta. Voc\u00ea vai fazer o que a pessoa est\u00e1 pedindo&#8221;, conta Rosimari.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 uma maternidade entrou para a lista do bandido.<\/p>\n<p>\u201cNo segundo dia do nascimento da nossa filha, houve uma liga\u00e7\u00e3o no quarto. Ele pediu para falar comigo. Ele falou: &#8220;N\u00f3s fizemos a bi\u00f3psia, n\u00e3o \u00e9 C.A. mas tem que tomar um rem\u00e9dio. Quando ele falou C.A, \u00e9 uma linguagem que m\u00e9dico usa at\u00e9 para n\u00e3o falar c\u00e2ncer. Voc\u00ea fica nervoso, como assim n\u00e9, voc\u00ea est\u00e1 num momento de ampla felicidade e descobre aquilo\u201d, contou uma v\u00edtima.<\/p>\n<p>O estelionat\u00e1rio se aproveita da situa\u00e7\u00e3o e indica os rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o 3 medicamentos e a representante do laborat\u00f3rio est\u00e1 aqui no meu consult\u00f3rio e 2 caixas ela j\u00e1 me conseguiu, mas tem um terceiro que voc\u00eas precisam comprar, e levo daqui a pouco no hospital, porque o plano de sa\u00fade reembolsa\u201d, contou a v\u00edtima.<\/p>\n<p>E consegue arrancar R$ 4 mil desta fam\u00edlia. A maternidade Pro Matre, onde aconteceu o caso, diz que orientou o casal a fazer um boletim de ocorr\u00eancia e que desde o final de 2013, alerta seus pacientes sobre trotes telef\u00f4nicos.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia j\u00e1 tem relatos de golpes aplicados por Valfrido em pacientes internados em hospitais de pelo menos 5 estados. Ele est\u00e1 preso na Penitenci\u00e1ria Estadual de Dourados, a 230 quil\u00f4metros de Campo Grande e vive isolado dos outros detentos.<\/p>\n<p>O Fant\u00e1stico entrevistou Valfrido no F\u00f3rum da cidade.<\/p>\n<p>\u201cEu minto desde os 14 anos de idade. Meu primeiro golpe foi que eu enganei o dono da empresa de \u00f4nibus para me dar uma vaga de emprego, porque tinham 40 pessoas na frente e eu havia ligado l\u00e1, me identificado como juiz, uma autoridade e por ele ser envolvido no meio pol\u00edtico, ele acabou concedendo a vaga, me colocando ent\u00e3o \u00e0 frente daquelas 40 pessoas. Mas eu fiquei 7 dias trabalhando l\u00e1. Me deu uma dor na coluna, at\u00e9 hoje eu tenho a dor na coluna, voc\u00ea acredita? O golpe do hospital eu ligava l\u00e1 na recep\u00e7\u00e3o. Pegava o nome do paciente e o nome do m\u00e9dico e o n\u00famero do apartamento e ligo e me passo como m\u00e9dico e vendo rem\u00e9dio\u201d, conta Valfrido.<\/p>\n<p>Um dos golpes mais recentes foi no final do m\u00eas de janeiro, contra uma fam\u00edlia de S\u00e3o Paulo. A esposa, de um homem &#8211; que prefere n\u00e3o se identificar &#8211; estava internada no Hospital Paulistano, quando come\u00e7ou a receber telefonemas.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o tive d\u00favidas que se tratava de um profissional e fui envolvido a um convencimento de adquirir os medicamentos que seriam realmente a salva\u00e7\u00e3o para uma pessoa que est\u00e1 internada sem diagn\u00f3stico, sem expectativa de tratamento\u201d, conta a v\u00edtima.<\/p>\n<p>Foram 20 liga\u00e7\u00f5es, durante dois dias. A v\u00edtima fez quatro dep\u00f3sitos, somando pouco mais de R$ 8,6 mil.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 se passou praticamente um m\u00eas da ocorr\u00eancia, embora tenha sido muito bem atendido, n\u00e3o sinto do hospital o interesse de fazer este ressarcimento\u201d, desabafa a v\u00edtima do Hospital Paulistano.<\/p>\n<p>O Fant\u00e1stico procurou o Hospital Paulistano que disse que n\u00e3o vai comentar o caso, mas que passou a alertar os pacientes, m\u00e9dicos, visitantes e funcion\u00e1rios sobre riscos de pr\u00e1ticas ilegais no setor de interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Campo Grande, a pol\u00edcia foi atr\u00e1s de L\u00facio Peres de Almeida, dono de uma das contas banc\u00e1rias que receberam os dep\u00f3sitos da v\u00edtima do Hospital Paulistano. L\u00facio prestou depoimento e disse que conheceu Valfrido quando foi visitar o pai que estava preso junto com o estelionat\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cEle pediu, falou que ia depositar um dinheiro que era para se manter e ia me dar &#8220;cinquent\u00e3o&#8221; s\u00f3 e eu n\u00e3o tinha conhecimento que era de crime nem nada\u201d, conta L\u00facio de Almeida.<\/p>\n<p>Em um organograma, feito pela equipe de investiga\u00e7\u00e3o, aparecem alguns dos c\u00famplices do criminoso.<\/p>\n<p>\u201cValfrido \u00e9 o mentor intelectual dos golpes, mas tem tamb\u00e9m aquela pessoa que fornece a conta, tem a pessoa que saca o dinheiro, tem a pessoa que lava o dinheiro, ou seja, a gente est\u00e1 trabalhando com a ideia de organiza\u00e7\u00e3o criminosa\u201d, diz o delegado Wellington.<\/p>\n<p>\u201cIsto \u00e9 devaneio do doutor Wellington. Ele fica com este devaneio, esta fantasia, este sonho de uma noite de ver\u00e3o na mente dele, porque este neg\u00f3cio de quadrilha n\u00e3o existe. Como que eu vou comandar uma quadrilha dentro de um presidio isolado?\u201d, rebate Valfrido<\/p>\n<p>Para um especialista em comportamento criminal, cometer golpes, como faz Valfrido, pode ser um sinal de doen\u00e7a. \u201cEsses indiv\u00edduos mentirosos patol\u00f3gicos t\u00eam altera\u00e7\u00f5es funcionais cerebrais. A v\u00edtima n\u00e3o \u00e9 vista pelo estelionat\u00e1rio como algu\u00e9m que vai sofrer, que tem sentimentos. Porque o ganho dele \u00e9 superior a isto\u201d, analisa Danilo Baltieri, professor de psiquiatria.<\/p>\n<p>\u201cDo leigo ao mais culto, todos s\u00e3o sujeitos a ser enganados\u201d afirma Valfrido.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais crimes ele repete, maior \u00e9 a chance deste indiv\u00edduo apresentar descontrole impulsivo, impulsividade motora e maior chance desse indiv\u00edduo apreciar este tipo de ato\u201d, explica Danilo.<\/p>\n<p>\u201cEste povo d\u00e1 tanto dinheiro por telefone e n\u00e3o chega e diz vou dar R$ 10, 15 mil pro Valfrido parar de mentir.\u201d, diz Valfrido.<\/p>\n<p>A grande dificuldade que n\u00f3s temos hoje \u00e9 combater essa situa\u00e7\u00e3o de entrada de celulares dentro do sistema penitenci\u00e1rio. \u00c9 uma transgress\u00e3o da disciplina o preso ter um celular dentro do sistema penitenci\u00e1rio. \u00c9 obvio que isso a\u00ed n\u00e3o pode ficar da transgress\u00e3o da disciplina. Isso a\u00ed tem que ser crime\u201d, afirma o delgado Wellington de Oliveira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estelionat\u00e1rio chegou a arrecadar R$ 200 mil por m\u00eas com golpes em fam\u00edlias de pessoas doentes. 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