{"id":37473,"date":"2015-09-01T10:30:04","date_gmt":"2015-09-01T13:30:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=37473"},"modified":"2015-09-01T10:30:04","modified_gmt":"2015-09-01T13:30:04","slug":"barrado-na-escola-por-uniforme-velho-vendedor-de-cocadas-faz-5-faculdades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/barrado-na-escola-por-uniforme-velho-vendedor-de-cocadas-faz-5-faculdades\/","title":{"rendered":"Barrado na escola por uniforme velho, vendedor de cocadas faz 5 faculdades"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Ele era criticado por n\u00e3o ter mochila, usar t\u00eanis gasto e ser filho de pedreiro.<br \/>\nHoje bibliotec\u00e1rio da C\u00e2mara, homem tem livro indicado ao Pr\u00eamio Jabuti.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Raquel Morais <\/em><\/strong><strong><em>Do G1 DF<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O brasiliense Cristian Santos n\u00e3o tem d\u00favidas de que a paix\u00e3o pela leitura o permitiu mudar de vida. Vendedor de cocadas na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia para ajudar os pais, ele chegou a ser impedido de assistir aulas em uma escola p\u00fablica por n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de comprar um uniforme novo. O jovem se refugiava das cr\u00edticas dos colegas na biblioteca, onde encontrou livros que o ajudaram a ingressar na universidade e conquistar cinco gradua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira obra com que o atual bibliotec\u00e1rio da C\u00e2mara dos Deputados teve contato foi \u201cA Arca de No\u00e9\u201d, quando tinha 6 anos, lida por uma das cinco irm\u00e3s. A fantasia o estimulava diante da realidade complicada. O pai era pedreiro e tinha dificuldades em sustentar a casa sozinho. A fam\u00edlia passava por necessidades.<\/p>\n<p>\u201cO p\u00e3o, normalmente sem manteiga, era o do dia anterior, vendido pela metade do pre\u00e7o. O g\u00e1s, raridade l\u00e1 em casa, era substitu\u00eddo pela lenha, que alimentava uma lata de tinta transformada em fog\u00e3o de duas bocas\u201d, lembra Santos.<\/p>\n<p>Aos 7 anos, o garoto sentiu na pele os reflexos da pobreza. \u00danico na turma a n\u00e3o ter o uniforme, precisou usar a camiseta de um colega para fazer a foto de final de ano da escola. \u201cTornei-me o Welinton. Pela primeira vez em tantas outras, a mis\u00e9ria [veio] negar minha identidade.\u201d<\/p>\n<p>Diante do quadro, a m\u00e3e do rapaz decidiu comprar cocos secos no mercado e preparar o doce para que ele pudesse vender pelas ruas de Brazl\u00e2ndia quando completou 9 anos. O lucro era usado na aquisi\u00e7\u00e3o de um novo fruto, verduras em oferta e o passe escolar.<\/p>\n<p>\u201cMeus clientes eram a vizinhan\u00e7a que, em sua grande maioria, n\u00e3o ignorava o porqu\u00ea de eu vender cocada. Penso que muitos compravam os doces por compaix\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<figure id=\"attachment_37475\" aria-describedby=\"caption-attachment-37475\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/20150827_103930.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-37475\" src=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/20150827_103930.jpg\" alt=\"O ex-vendedor de cocadas Cristian Santos, de Bras\u00edlia, que fez cinco cursos de gradua\u00e7\u00e3o (Foto: Raquel Morais\/G1)\" width=\"620\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/20150827_103930.jpg 620w, https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/20150827_103930-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-37475\" class=\"wp-caption-text\">O ex-vendedor de cocadas Cristian Santos, de Bras\u00edlia, que fez cinco cursos de gradua\u00e7\u00e3o (Foto: Raquel Morais\/G1)<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 na adolesc\u00eancia, outra atribui\u00e7\u00e3o do garoto passou a ser cuidar da casa. Ele acordava \u00e0s 4h para ferver a \u00e1gua do caf\u00e9 e passar pano no ch\u00e3o. Uma hora depois embarcava em um \u00f4nibus rumo \u00e0 W3 Sul para ir para o col\u00e9gio Elefante Branco \u2013 a 45 quil\u00f4metros de casa. Santos lembra de aproveitar os minutos antes do in\u00edcio da aula para \u201cpausadamente\u201d comer, longe dos olhares e risos dos colegas.<\/p>\n<p>\u201cFui v\u00edtima de bullying escolar pelo t\u00eanis velho, por n\u00e3o ter mochila e pelo fato de o meu pai ser pedreiro. Era uma crueldade absurda. Recordo-me, dessa mesma \u00e9poca, ter sido motivo de chacota por parte de meus colegas de turma ao descobrirem que levava um p\u00e3ozinho franc\u00eas amanteigado, prensado entre meus livros. Era minha refei\u00e7\u00e3o a ser devorada no recreio, j\u00e1 que n\u00e3o tinha dinheiro para a lanchonete\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cNo n\u00edvel m\u00e9dio, fui impedido de frequentar as aulas pela dire\u00e7\u00e3o da escola por usar um uniforme antigo. Uma semana intensa dedicada \u00e0 venda das cocadas me permitiu adquirir a camiseta. Impossibilitado de comprar os livros did\u00e1ticos, consumia todos os meus recreios copiando no caderno as tarefas a serem entregues na pr\u00f3xima aula. Era um sufoco! De todo modo, sempre era escolhido pelo conselho escolar como o melhor aluno da turma\u201d, completa<\/p>\n<p>Sem dinheiro para pagar a taxa de inscri\u00e7\u00e3o do vestibular, o jovem precisou esperar seis meses depois do fim do ensino m\u00e9dio para concorrer a uma vaga na Universidade de<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/cidade\/brasilia.html\"><strong>Bras\u00edlia<\/strong><\/a>. Santos se preparou com a ajuda de apostilas velhas achadas em uma biblioteca. Ele tamb\u00e9m usou o per\u00edodo para batalhar bolsas de estudo em franc\u00eas, ingl\u00eas e espanhol.<\/p>\n<p>\u201cEra com o dinheiro dos doces que bancava as fotoc\u00f3pias dos textos, o almo\u00e7o no restaurante universit\u00e1rio \u2013 R$ 0,50, por refei\u00e7\u00e3o, o menor valor, j\u00e1 que era classificado pelo servi\u00e7o social da UnB como aluno carente \u2013 e as passagens de \u00f4nibus. Nem sempre as vendas eram boas. No primeiro semestre do curso de biblioteconomia, por exemplo, minhas aulas terminavam \u00e0s 20h, e ia a p\u00e9, do Minhoc\u00e3o at\u00e9 a rodovi\u00e1ria, j\u00e1 que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de pagar a tarifa do circular\u201d, lembra.<\/p>\n<figure id=\"attachment_37476\" aria-describedby=\"caption-attachment-37476\" style=\"width: 299px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/3_anos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-37476\" src=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/3_anos.jpg\" alt=\"O brasiliense Cristian Santos aos 3 anos; ex-vendedor de cocadas fez cinco gradua\u00e7\u00f5es (Foto: Cristian Santos\/Arquivo Pessoal)\" width=\"299\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/3_anos.jpg 299w, https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/3_anos-224x300.jpg 224w\" sizes=\"auto, (max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-37476\" class=\"wp-caption-text\">O brasiliense Cristian Santos aos 3 anos;<br \/>ex-vendedor de cocadas fez cinco gradua\u00e7\u00f5es<br \/>(Foto: Cristian Santos\/Arquivo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Aos 19 anos, o garoto conseguiu est\u00e1gio e passou a ganhar R$ 250 por m\u00eas. O dinheiro foi usado em um cursinho preparat\u00f3rio para o cargo de t\u00e9cnico judici\u00e1rio. Aprovado, ele deixou de vender cocadas e passou a sustentar os pais e as cinco irm\u00e3s.<\/p>\n<p><strong>Outras forma\u00e7\u00f5es e pr\u00eamios<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s concluir biblioteconomia, Santos foi aprovado em primeiro lugar no concurso do Superior Tribunal de Justi\u00e7a para o cargo de bibliotec\u00e1rio. Na mesma \u00e9poca ele passou a apresentar, na condi\u00e7\u00e3o de bolsista, trabalhos cient\u00edficos na Argentina, Finl\u00e2ndia, Noruega e Est\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cNuma tarde chuvosa, fui a uma daquelas lojas de R$ 1,99 a pedido de minha m\u00e3e. Encontrei numa estante de canto &#8216;A morte de Ivan Ilitsch&#8217;. Voltei para casa sem o escorredor de macarr\u00e3o, mas na companhia de Tolstoi. A novela me feriu, e minha paix\u00e3o pela literatura alcan\u00e7ou um n\u00edvel alarmante. Acabei me graduando em l\u00edngua e literatura francesas e depois em tradu\u00e7\u00e3o. Nesse per\u00edodo, estudei por tr\u00eas meses na Universidade Laval, Canad\u00e1, gra\u00e7as \u00e0 hospedagem gratuita de uma fam\u00edlia cat\u00f3lica\u201d, diz.<\/p>\n<p>O homem fez ainda filosofia e teologia, al\u00e9m de mestrado em ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o \u2013 a disserta\u00e7\u00e3o foi premiada em um concurso na Argentina. Ele chegou a ser admitido para o curso anual da Scuola Vaticana di Paleografia, mas n\u00e3o p\u00f4de fazer porque n\u00e3o foi liberado pela dire\u00e7\u00e3o do STJ.<\/p>\n<p>Depois, o ex-vendedor de cocadas fez doutorado em literatura e pr\u00e1ticas sociais. Os estudos o levaram a se aprofundar na obra de Michel Foucault e o estimularam a se preocupar em ser mais humanista e culto.<\/p>\n<p>\u201cDefendo que todo bibliotec\u00e1rio \u00e9, fundamentalmente, um intelectual, ou seja, como disse Foucault, um sujeito que tem por papel \u2018mudar algo no esp\u00edrito das pessoas\u2019. Um bibliotec\u00e1rio let\u00e1rgico \u00e9, portanto, um engodo, um desservi\u00e7o \u00e0 sociedade\u201d, afirma Santos.<\/p>\n<p>A tese dele virou livro e aborda a representa\u00e7\u00e3o de padres e beatas na literatura. \u201cNa obra, discuto as raz\u00f5es pelas quais a literatura do pa\u00eds representa os personagens religiosos de forma caricata, sempre associados ao atraso moral e econ\u00f4mico. \u2018Devotos e Devassos\u2019 acaba de ser indicado para o Pr\u00eamio Jabuti em duas categorias: melhor cr\u00edtica liter\u00e1ria e melhor capa.\u201d<\/p>\n<p><strong>Exemplo em casa<\/strong><br \/>\nPara o servidor p\u00fablico, o sucesso tem a ver com o que via no dia a dia. Mesmo diante das dificuldades e com pouco conhecimento acad\u00eamico, Santos conta que o pai tinha \u201cforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica invej\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>\u201cLembro-me dele, durante o jantar, discutindo a respeito da infla\u00e7\u00e3o galopante e da necessidade de gente do povo se candidatar a cargos p\u00fablicos eletivos\u201d, conta.<\/p>\n<p>Uma das experi\u00eancias que o marcou \u00e9 de quando, acompanhando o pai no trabalho, foi repreendido por querer brincar com os pregos tortos e enferrujados. O garoto ouviu que n\u00e3o podia transformar em vaquinhas e cavalos algo que n\u00e3o lhe pertencia.<\/p>\n<p>A m\u00e3e, segundo o servidor p\u00fablico, tinha personalidade parecida. Ela oferecia \u00e1gua fresca aos garis que varriam a rua e abrigava camponeses que chegavam \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA pobreza n\u00e3o impediu que ambos fossem sens\u00edveis ao sofrimento daqueles que eram ainda mais carentes de p\u00e3o e de afeto. Meu pai n\u00e3o raramente aparecia em casa com moradores de rua, alimentando-os e vestindo-os. Uma vez, rumo \u00e0 igreja, voltou com um senhor completamente b\u00eabado; lavou-o e alimentou-o e o acolheu por duas semanas, at\u00e9 conseguir uma passagem de \u00f4nibus que o levasse de volta \u00e0 Bahia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Santos afirma que os exemplos foram essenciais para que ele ter for\u00e7as para transformar a vida que levava. &#8220;N\u00e3o poderia alcan\u00e7ar mobilidade por mim mesmo. Somente virei a mesa porque fui estimulado.&#8221;<\/p>\n<figure id=\"attachment_37477\" aria-describedby=\"caption-attachment-37477\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/20150827_111341.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-37477\" src=\"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/20150827_111341.jpg\" alt=\"O brasiliense Cristian Santos, que vendeu cocadas por dez anos e conseguiu fazer cinco gradua\u00e7\u00f5es, lendo trecho do livro 'O mulato' (Foto: Raquel Morais\/G1)\" width=\"620\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/20150827_111341.jpg 620w, https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/20150827_111341-300x226.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-37477\" class=\"wp-caption-text\">O brasiliense Cristian Santos, que vendeu cocadas por dez anos e conseguiu fazer cinco gradua\u00e7\u00f5es, lendo trecho do livro &#8216;O mulato&#8217; (Foto: Raquel Morais\/G1)<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele era criticado por n\u00e3o ter mochila, usar t\u00eanis gasto e ser filho de pedreiro. 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