{"id":43207,"date":"2016-02-04T08:00:49","date_gmt":"2016-02-04T11:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=43207"},"modified":"2016-02-04T07:17:02","modified_gmt":"2016-02-04T10:17:02","slug":"cidades-proximas-ao-rio-sao-francisco-podem-virar-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/cidades-proximas-ao-rio-sao-francisco-podem-virar-deserto\/","title":{"rendered":"Cidades pr\u00f3ximas ao Rio S\u00e3o Francisco podem virar deserto"},"content":{"rendered":"<p><i><b>Mapeamento da Fiocruz mostra \u00e1reas vulner\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/b><\/i><\/p>\n<p><i><span class=\"autor\">Por: Willian Helal Filho \/\u00a0<\/span>O Globo<\/i><\/p>\n<p>Depois de come\u00e7ar o ano combalida pela seca, a cidade de Xique-Xique, no sert\u00e3o baiano, est\u00e1 hoje em estado de emerg\u00eancia por causa das fortes chuvas que ca\u00edram no Nordeste a partir da segunda quinzena de janeiro. Da mesma forma, diferentes munic\u00edpios pr\u00f3ximos, no entorno do Rio S\u00e3o Francisco, como Juazeiro e Barreiras, que estavam em situa\u00e7\u00e3o emergencial devido \u00e0 prolongada estiagem, agora avaliam as perdas impostas pela precipita\u00e7\u00e3o. Fam\u00edlias sem casa, escolas paradas e obras desmanteladas. Algumas prefeituras cancelaram as festividades do carnaval.<\/p>\n<p>Enquanto especialistas tentam explicar a ironia meteorol\u00f3gica, enfatizando que essas chuvas n\u00e3o significam o fim da seca atual na regi\u00e3o, ficam \u00f3bvias as fragilidades de cidades do M\u00e9dio S\u00e3o Francisco diante de fen\u00f4menos naturais extremos que se tornar\u00e3o cada vez mais severos e frequentes com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em curso no planeta. \u00c9 justamente esse grau de vulnerabilidade local que pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) mapearam pela primeira vez. Segundo a pesquisa, feita com dados de 84 munic\u00edpios baianos na Bacia do S\u00e3o Francisco, at\u00e9 40 dessas cidades s\u00e3o altamente vulner\u00e1veis aos efeitos do aquecimento global.<\/p>\n<p>Ou seja, nos pr\u00f3ximos 25 anos, com estiagens mais longas e menos espor\u00e1dicas, al\u00e9m de aumento da temperatura, esses locais \u2014 todos com baixos indicadores sociais \u2014 s\u00e3o mais sujeitos a experimentar fortes perdas agr\u00edcolas, escalada de doen\u00e7as, evas\u00e3o de moradores e at\u00e9 a desertifica\u00e7\u00e3o das paisagens.<\/p>\n<p>\u2014 O objetivo do estudo \u00e9 dar instrumentos para a gest\u00e3o p\u00fablica. Se nada for feito no sentido de preparar a regi\u00e3o para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, essas popula\u00e7\u00f5es poder\u00e3o sofrer mais com o aquecimento do planeta. Melhorias j\u00e1 est\u00e3o em curso, mas \u00e9 preciso expandir essas a\u00e7\u00f5es \u2014 explica a pesquisadora Martha Barata, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), acrescentando: \u2014 O trabalho identificou fortes desigualdades entre munic\u00edpios vizinhos. Paulo Afonso, por exemplo, \u00e9 o mais protegido. Mas h\u00e1 cidades pr\u00f3ximas, como Jeremoabo, em situa\u00e7\u00e3o bem mais fr\u00e1gil.<\/p>\n<p>Toda a \u00e1rea pesquisada fica dentro do bioma da Caatinga, um dos mais amea\u00e7ados pelas altera\u00e7\u00f5es no clima. Com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o estudo identificou poss\u00edveis mudan\u00e7as de temperatura e volume de chuvas para cada munic\u00edpio considerando dois cen\u00e1rios: o primeiro, otimista, leva em conta um corte das emiss\u00f5es globais de gases-estufa, impedindo que o aquecimento m\u00e9dio da Terra supere 0,98 grau Celsius, com uma queda no volume de chuvas de 101mm em 25 anos. Mesmo com essa conjuntura, 34 munic\u00edpios da \u00e1rea estudada foram classificados como altamente vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>O segundo cen\u00e1rio estipulado pela pesquisa considera uma progress\u00e3o cont\u00ednua das emiss\u00f5es no planeta, o que elevaria a temperatura global em at\u00e9 1,75\u00b0 C, com um decr\u00e9scimo maior, de 172mm, no volume de chuvas at\u00e9 2040. Diante dessas previs\u00f5es pessimistas, o n\u00famero de cidades com vulnerabilidade alta ou muito alta chega a 40. Al\u00e9m disso, analisando indicadores locais, os pesquisadores alertam que a cidade de Buritirama, por exemplo, pode se tornar 2,13\u00b0C mais quente. J\u00e1 em Urandi, a queda no volume de chuva pode chegar a 438 mm.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m alerta para diferentes doen\u00e7as, como dengue, esquistossomose e diarreia, que podem se tornar mais comuns na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 A seca no Nordeste sempre existiu, \u00e9 hist\u00f3rica. Nossa preocupa\u00e7\u00e3o no estudo \u00e9 com o agravamento disso. Sem investimento em melhorias, pode n\u00e3o haver, no futuro, condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia nesses locais \u2014 comenta a pesquisadora Diana Marinho, da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Sergio Arouca (Ensp\/Fiocruz). \u2014 Os munic\u00edpios sofrem muito com as estiagens e com as enxurradas. Por ser uma \u00e1rea muito seca, as prefeituras n\u00e3o se preocupam com drenagem, por exemplo. Quando cai uma chuva forte, os moradores s\u00e3o pegos desprevenidos. N\u00e3o h\u00e1 sistemas para armazenar essa \u00e1gua.<\/p>\n<p>Segundo Diana, que nasceu em Campina Grande, na Para\u00edba, o sertanejo tende a confiar o futuro a Deus:<\/p>\n<p>\u2014 Eles dizem que \u201cse Deus quiser, vai chover, e o milho vai crescer\u201d. N\u00e3o se mobilizam para mudar as coisas porque o pai, o av\u00f4 e o bisav\u00f4 sempre fizeram daquele jeito. O problema \u00e9 que o clima est\u00e1 sofrendo altera\u00e7\u00f5es, as cidades da regi\u00e3o precisam se adaptar a isso.<\/p>\n<p><strong>RECUPERA\u00c7\u00c3O DE RIOS E NASCENTES<\/strong><\/p>\n<p>Superintendente de Pol\u00edticas e Planejamento Ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente da Bahia, Edson Ribeiro acompanhou a apresenta\u00e7\u00e3o da pesquisa para gestores p\u00fablicos regionais. Ele destaca que est\u00e1 em tr\u00e2mite na Assembleia Legislativa da Bahia um Projeto de Lei que prev\u00ea a institui\u00e7\u00e3o de uma \u201cpol\u00edtica de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido\u201d. O objetivo \u00e9 unificar a\u00e7\u00f5es municipais, estaduais e federais voltadas ao desenvolvimento do sert\u00e3o. O programa \u00c1gua Para Todos, da Uni\u00e3o, por exemplo, visa a distribuir tecnologias para enfrentar as secas. Algumas cidades analisadas pela Fiocruz j\u00e1 possuem cisternas para o armazenamento de \u00e1gua, mas a infraestrutura dispon\u00edvel ainda n\u00e3o evita situa\u00e7\u00f5es de calamidade como a que se observa atualmente.<\/p>\n<p>\u2014 O perigo de desertifica\u00e7\u00e3o de certas \u00e1reas est\u00e1 no radar dos governos. As cidades com as coberturas vegetais mais comprometidas est\u00e3o entre as mais vulner\u00e1veis. O que podemos fazer? Recuperar as matas ciliares\u00a0<em>(dos rios)<\/em>, resgatar as nascentes. Queremos criar um programa para desassorear os rios \u2014 afirma Ribeiro, ele pr\u00f3prio natural de Xique-Xique. \u2014 Nos \u00faltimos anos estamos vendo a migra\u00e7\u00e3o se acentuar na \u00e1rea do S\u00e3o Francisco. S\u00e3o pessoas fugindo da seca para cidades pr\u00f3ximas ou metr\u00f3poles mais distantes. \u00c9 preciso evitar essa tend\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mapeamento da Fiocruz mostra \u00e1reas vulner\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas Por: Willian Helal Filho \/\u00a0O Globo Depois de come\u00e7ar o ano<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":43208,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[47,2483],"class_list":["post-43207","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-destaques","tag-rio-sao-francisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43207\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}