{"id":5298,"date":"2013-12-13T08:15:05","date_gmt":"2013-12-13T11:15:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/?p=5298"},"modified":"2013-12-13T08:15:05","modified_gmt":"2013-12-13T11:15:05","slug":"barroso-vota-contra-empresa-doar-para-politico-decisao-final-e-adiada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.radiopajeu.com.br\/portal\/barroso-vota-contra-empresa-doar-para-politico-decisao-final-e-adiada\/","title":{"rendered":"Barroso vota contra empresa doar para pol\u00edtico; decis\u00e3o final \u00e9 adiada"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Dos 11 ministros do STF, quatro votaram, todos contra doa\u00e7\u00e3o de empresa.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Pedido de vista adiou decis\u00e3o final, que deve ficar para o ano que vem.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Lu\u00eds Roberto Barroso votou nesta quinta-feira (12) pelo fim das doa\u00e7\u00f5es de empresas a campanhas eleitorais.<\/p>\n<p>Ele foi o quarto a considerar inconstitucionais regras que permitem o financiamento de candidatos e partidos por pessoas jur\u00eddicas \u2013 nesta quinta, votou o ministro Dias Toffoli e, na quarta, Luiz Fux, relator do tema, e o presidente do STF, Joaquim Barbosa.<\/p>\n<p>Na quarta, o ministro Teori Zavascki pediu vista (mais tempo para analisar o processo). O pedido foi confirmado nesta quinta e, com isso, o julgamento foi suspenso, sem prazo para ser retomado. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que o julgamento s\u00f3 termine no ano que vem \u2013 o STF s\u00f3 tem mais duas sess\u00f5es antes de recesso de fim de ano. Faltam os votos de outros sete ministros.<\/p>\n<p>O Supremo julga uma A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) protocolada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em 2011. No come\u00e7o do julgamento, entidades defenderam o fim do financiamento empresarial a campanhas e a Advocacia Geral da Uni\u00e3o (AGU) considerou que o debate deve ser feito no Congresso e n\u00e3o no STF.<\/p>\n<p>De acordo com os votos de Fux, Barbosa, Toffoli e Barroso, as elei\u00e7\u00f5es de 2014 seriam realizadas sem a doa\u00e7\u00e3o de empresas.<\/p>\n<p>Atualmente, o financiamento de campanha no Brasil \u00e9 p\u00fablico e privado. Pol\u00edticos e partidos recebem dinheiro do Fundo Partid\u00e1rio (formado por recursos do Or\u00e7amento, multas, penalidades e doa\u00e7\u00f5es) e de pessoas f\u00edsicas (at\u00e9 o limite de 10% do rendimento) ou de empresas (limitadas a 2% do faturamento bruto do ano anterior ao da elei\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O ministro Lu\u00eds Roberto Barroso destacou que \u00e9 &#8220;contr\u00e1rio \u00e0 moralidade p\u00fablica o financiamento das elei\u00e7\u00f5es por empresas&#8221; considerando as regras atuais. Barroso disse que &#8220;em tese&#8221; \u00e9 leg\u00edtimo que uma empresa financie candidatos ou partidos que correspondam \u00e0 sua ideologia, mas n\u00e3o sob as normas atuais, que autorizam a doa\u00e7\u00e3o de at\u00e9 2% do faturamento e n\u00e3o limitam a quantidade de pol\u00edticos ou partidos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 leg\u00edtimo, em tese, que uma empresa financie candidato ou partido porque ele candidato ou partido corresponde \u00e0 sua ideologia. No entanto, em face da legisla\u00e7\u00e3o atual, considero antidemocr\u00e1tico o financiamento eleitoral conduzido por empresas privadas, mas apenas tendo em vista as normas atuais&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Barroso voltou a defender o barateamento das elei\u00e7\u00f5es e disse que o voto em lista e o voto distrital podem reduzir os gastos com a disputa eleitoral.<br \/>\nLevantamento realizado pelo G1 e publicado em setembro mostrou que dos R$ 751,8 milh\u00f5es recebidos em 2012 (ano de elei\u00e7\u00f5es municipais) por 27 partidos para financiamento das atividades partid\u00e1rias e das campanhas, mais de 95% vieram de empresas privadas.<\/p>\n<p>O levantamento foi citado pelo ministro Toffoli durante seu voto. Ele leu parte da reportagem e afirmou que os dados mostram &#8220;a influ\u00eancia do poder econ\u00f4mico nas elei\u00e7\u00f5es&#8221;. &#8220;N\u00e3o \u00e9 de hoje que se verifica o poder das empresas nas campanhas&#8221;, destacou.<\/p>\n<p>Toffoli afirmou que a permiss\u00e3o de doa\u00e7\u00e3o de empresas a candidatos e partidos viola o direito do voto, que \u00e9 uma cl\u00e1usula p\u00e9trea da Constitui\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode ser alterada. &#8220;A Constitui\u00e7\u00e3o estabelece voto livre da influ\u00eancia do poder econ\u00f4mico.&#8221;<\/p>\n<p>O ministro Gilmar Mendes fez interven\u00e7\u00e3o durante o voto de Toffoli e afirmou que, se exclu\u00eddo o financiamento por parte de empresas, quem est\u00e1 no poder ser\u00e1 beneficiado porque utilizar\u00e1 propaganda institucional para se promover.<\/p>\n<p>&#8220;Quem ganha com o modelo cerrado, herm\u00e9tico? Vai se proibir a propaganda institucional tamb\u00e9m? Estamos fazendo um tipo de lei para beneficiar quem est\u00e1 no poder? \u00c9 disso que se cuida? Um projeto de eterniza\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 no poder? A propaganda institucional hoje nada mais \u00e9 do que propaganda eleitoral. Quando Dilma foi candidata, Lula passou at\u00e9 a inaugurar buraco no pa\u00eds&#8221;, disse o ministro Mendes.<\/p>\n<p>Gilmar Mendes destacou que a propaganda institucional como forma de buscar votos \u00e9 &#8220;a viola\u00e7\u00e3o mais clara, mais escarrada, da ideia de igualdade de chances&#8221;.<\/p>\n<p>O ministro completou que trata-se de tema complexo e que o pedido de vista de Teori Zavascki vai ajudar todos a analisarem melhor a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Doa\u00e7\u00e3o de pessoas f\u00edsicas<br \/>\nO relator Luiz Fux votou tamb\u00e9m pela inconstitucionalidade do percentual de 10% do rendimento para doa\u00e7\u00f5es de pessoas f\u00edsicas. Ele considerou ilegal regra que autoriza que os pr\u00f3prios candidatos fa\u00e7am doa\u00e7\u00f5es conforme crit\u00e9rios estabelecidos pelas legendas.<\/p>\n<p>Nos dois casos, o ministro decidiu, por\u00e9m, que as regras podem continuar v\u00e1lidas por dois anos e que, dentro desse prazo, o Congresso Nacional deve votar novas regras sobre o tema. Caso em 18 meses nenhuma mudan\u00e7a tenha sido feita, o ministro votou para que se autorize o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a criar uma regra provis\u00f3ria.<\/p>\n<p>Para Fux, a norma que estipula doa\u00e7\u00e3o de at\u00e9 10% do rendimento para pessoas f\u00edsicas permite que &#8220;as pessoas ricas tenham mais influ\u00eancia sobre as elei\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Barbosa concordou com Fux sobre a ilegalidade de fixar percentuais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s doa\u00e7\u00f5es de pessoas f\u00edsicas e de pr\u00f3prios candidatos. Ele disse, por\u00e9m, que n\u00e3o concordava com modula\u00e7\u00e3o, ou seja, em estabelecer prazo para o Congresso votar novas regras.<\/p>\n<p>&#8220;Voto por n\u00e3o modular porque essa A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade foi ajuizada em setembro de 2011. Se o Congresso Nacional ao tomar conhecimento quisesse poderia muito bem ter regulado essa mat\u00e9ria em tempo h\u00e1bil. N\u00f3s sabemos que neste ano falou-se na acelera\u00e7\u00e3o do debate sobre esse tema, a chamada reforma pol\u00edtica, mas nada se fez, nada foi realizado&#8221;, acrescentou Barbosa.<\/p>\n<p>Ao votar nesta quinta, Toffoli afirmou que ainda analisar\u00e1 se votar\u00e1 ou n\u00e3o por conceder prazo para o Congresso votar o tema.<\/p>\n<p><em><strong>Do G1<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos 11 ministros do STF, quatro votaram, todos contra doa\u00e7\u00e3o de empresa. 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